Porto: Assembleia Municipal discutiu ES.COL.A da Fontinha

17 de maio 2011 - 12:42

Esta segunda-feira à noite, pelo menos uma centena de pessoas concentrou-se nas traseiras da Câmara Municipal apoiando os activistas que tinham ocupado a escola do Alto da Fontinha. Rui Rio admitiu desconhecer o projecto e insistiu que ocupação é ilegal.

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"ES.COL.A resiste no largo da fontinha" - foto escoladafontinha.blogspot.com.

O caso Fontinha foi chamado à Assembleia Municipal através da deputada do Bloco de Esquerda Ada Pereira da Silva, que criticou "o excesso policial" que rodeou a acção de despejo, com agentes armados de "shotguns" por causa de "sete pessoas". A deputada notou que o ES.COL.A "não pediu apoio, não pediu colaboração e não pediu subsídio" para o seu projecto e, apesar disso, "tinha resultados positivos". "Sim, não é legal", concordou, referindo, no entanto, que os membros daquele movimento "mostraram iniciativa".

Já Rui Rio respondeu dizendo que desconhecia o projecto, admitindo que a Câmara agiu sem procurar conhecer previamente o que se passava na escola da Fontinha. “Não conheço o projecto que lá estava dentro e não me custa aceitá-lo, mas é impossível aceitar seja que ocupação for de um edifício", acrescentou Rui Rio.

O ES.COL.A ocupou o edifício há cerca de um mês mas os moradores aprovam a sua presença, até pela segurança criada. "Não tem mal nenhum", garantiu José Sampaio Lima, "representante dos moradores" locais. "Querem é ser felizes", continuou, dirigindo-se aos deputados municipais. "Somos como irmãos, a população está radiante", concluiu.

O morador Carlos Correia, que interveio durante a assembleia, pediu "uma segunda oportunidade" para os jovens do ES.COL.A, alguns dos quais, juntamente com moradores da Fontinha e outros cidadãos solidários, estiveram concentrados mais de cinco horas nas traseiras da Câmara à espera que a assembleia terminasse e chegassem notícias acerca do que foi discutido.

Segundo o relato do Jornal de Notícias, foi colocada no espaço uma faixa branca, na qual podia ler-se: "Da ES.COL.A para o bairro ou da Câmara para o abandono? Espaço colectivo autogestionado do Alto da Fontinha".

Durante a assembleia, da maioria PSD-CDS/PP, o social-democrata Paulo Rios considerou que os "ocupas" tiveram "um comportamento censurável numa sociedade civilizada e num estado de direito". Admitiu, ainda assim, que "o projecto pode ter sentido" e pediu à câmara para "ver até que ponto faz sentido prosseguir" com ele.

Rui Rio aceitou a sugestão e disse estar receptivo a uma proposta que o movimento queira fazer. Mas em tom de descrédito para com o projecto ES.COL.A do Alto da Fontinha, Rio afirmou: “a autarquia vai procurar fazer um projecto decente para aquele edifício".

Moradores querem o ES.COL.A e não "outro projecto"

No dia 10 de Maio a polícia municipal dirigiu-se à velha Escola da Fontinha, abandonada desde 2006 e propriedade camarária, e despejou os seus ocupantes que já tinham recuperado o edifíco e desenvolviam ali um projecto educativo. Moradores da Rua da Fábrica solidarizaram-se então com o grupo de “ocupas” e manifestaram-se contra a ordem camarária, mas a polícia manteve-se inflexível.

Segundo Jorge Cardoso, o ES.COL.A transferiu entretanto as suas actividades para o largo da Fontinha e “tem corrido bem”. Ateliers de desenho, aulas de guitarra e explicações de matemática, Física, Química e Português estão entre as actividades que hoje são desenvolvidas naquele espaço ao ar livre.



“É ali que aquele bairro precisa de apoio e não queremos uma alternativa àquele projecto”, refere Jorge Cardoso, remetendo, todavia, para “uma assembleia” com moradores locais uma decisão quanto ao que fazer daqui para a frente.