Por um Bloco como alternativa de governo à esquerda do PS

30 de junho 2011 - 0:01

Contributo de Pedro Oliveira

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As eleições legislativas trouxeram-nos um novo panorama, inverteram a tendência de crescimento do Bloco de Esquerda desde a sua fundação, perdendo-se metade dos deputados eleitos em 2009.

Só passaram dois anos e o nosso eleitorado desceu para metade.

Pensar que, esta quebra (esta derrota incontornável) é fruto da conjuntura, da viragem à direita dos países europeus é um erro crasso.

O Bloco de Esquerda é um partido complexo, pois nasceu da fusão de 3 partidos/movimentos políticos (UDP, PSR e Política XXI).

Tais movimentos perduram e têm lideranças, o seu peso no Bloco de Esquerda é inquestionável, se foi necessário manter essas estruturas activas e os seus líderes no início do partido, por forma a estruturar o bloco de esquerda, a verdade é que neste momento o Bloco de Esquerda tem imensa militância nova, gente nova e menos nova que não fazem, nunca fizeram (muitos nem sabem o que são) parte dessas tendências.

Mais, não pode continuar a existir no partido, o peso das tendências e as manias do ex-PCP, o Bloco de Esquerda não é o PCP e quem pertence a uma tendência (seja ela qual for) não é mais ou menos bloquista que os demais.

Sou do Bloco de Esquerda e acredito no projecto, mas acredito que tal projecto necessita de ser repensado a partir de dentro.

As tendências que futuro? Vão continuar a ocupar o poder e a deixar aqueles que "só" são do BE de fora? Sem possibilidade de influenciar por dentro?

O quadro de reflexão é gigante, o bloco de esquerda necessita de um rumo, precisa de se afirmar, não peço a cabeça do líder, mas deixo a seguinte reflexão: Qual é o partido actual (para além do nosso) que tem o mesmo líder há 12 anos?

São tiques comunas!

O Bloco de Esquerda cometeu estrategicamente 4 erros fundamentais, a saber:

Não aceder à reunião com a Toika;

Reunião com o PCP;

Apoio à Candidatura do Manuel Alegre em conjunto com o PS;

Moção de Censura;

Outros foram, por exemplo:

Centrar o debate, apenas e só, na parte económica, na discussão dos números, coisas que as pessoas (o comum dos portugueses) não percebe, não entende, o que é que o português quer saber? É simples! Quer saber quanto lhe vão tirar do bolso, e que alternativas lhe apresentam, e o bloco é alternativa para a governação?

Permitir a colagem do partido a um movimento de extrema esquerda, o Bloco se quer ter influência tem de convencer as pessoas que é parte da solução e não que é um partido de causas sem ideologia, que só quer criticar e estar na Rua, mas que não apresenta alternativas e sobretudo não quer ser alternativa.

Há espaço político para o Bloco de Esquerda, mas tem de ser um bloco realista, um bloco pronto para zelar pela vida das pessoas, pelos seus direitos e com responsabilidade.

O partido tem de se colocar à esquerda do PS e à direita do PCP, não pode o Bloco de Esquerda permitir que os média o coloquem à esquerda do PCP!

A eleição do Luís Fazenda para líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda é um passo atrás!

Alguma bancada, para além do PCP mantém o mesmo líder?

Nós não somos o PCP, mas mostramos e vivemos com os tiques do PCP, que importa a ideologia do PCP, o que quer o PCP, o que defende o PCP, e nós que DEFENDEMOS?

E se fossemos governo que defenderíamos?

Há que falar claro às pessoas, explicar-lhes que nós queremos mudar, que nós queremos lutar por elas, que nós somos alternativa, que nós somos esquerda, mas nós não somos poetas, nós somos responsáveis....

Nós lutaremos pelos seus direitos, nós não podemos dizer às pessoas que a Bancarrota é uma treta e lutar pelo aumento dos apoios sociais, quando não há dinheiro, as pessoas não percebem isso e penalizam-nos!

Se fazemos política para as pessoas, elas têm de nos perceber, tem de confiar em nós!

Numa altura de crise, em que não há dinheiro, em que temos cá o FMI, não podemos lutar pelo aumento dos apoios sociais, isso é irresponsabilidade, temos de lutar para que não desapareçam e dizer como.

A luta do Bloco perante a Banca é uma causa perdida, e estamos a perder a luta porquê? Porque as pessoas, não percebem o que é que o Bloco está a pedir, o que é que o Bloco está dizer!

É preciso não esquecer que a Banca emprega milhares de portugueses, todos fiéis ao seu banco, ao seu empregador, que se revoltam e não votam em nós, pessoas que têm família.

A mensagem tem de ser clara e se não passa, é preciso reformular ou abandoná-la, a isso chama-se estratégia política.

Nada será como dantes no Bloco de Esquerda depois desta derrota, não queiram passar entre os pingos da chuva, é necessário fazer um debate sério dentro do partido, é necessário que a comissão política tenha gente do Bloco de Esquerda (sem pertencer a qualquer tendência), as tendências são, neste momento minoritárias (em termos de militantes) no partido, mas são elas que mandam!

Porquê? Quem pertence a uma tendência / corrente é mais bloquista que os outros?

Não vale de nada adiar, é preciso reflectir, é preciso abandonar os dogmas da esquerda seca, dura, que não percebe o eleitorado português que é moderado!

É imperioso, explicar às pessoas que somos alternativa de governo que queremos mudar e fazer melhor, que lutamos por elas e para elas!

Dizer que perdemos devido à chantagem da bancarrota é um erro!

Os fundadores têm de abrir o partido às bases, os fundadores tem de ser mais humildes, e deixar de olhar para as tendências para constituir a direcção.

O partido não pode continuar fechado numa redoma, a caminhar directo ao desaparecimento....

Vamos lutar pelo Bloco, por um partido de esquerda, a esquerda responsável, por um governo pelas pessoas!