...encontro agora Espaço para alguma reflexão acerca deste último acto democrático-representativo...
Creio honestamente que, com tantas organizações sócio-partidárias à disposição, os maiores derrotados foram os abstencionistas, brancos e nulos, que não apresentam uma alternativa técnica e social válida e refugiam-se na culpabilização generalizada para além deles. A seguir o Bloco de Esquerda! Depois o PS …
Enviei em Março uma mensagem ao Francisco Louçã e ao Miguel Portas, onde, entre outros exercícios especulativos, sugeria que o MP fosse o candidato a 1º Ministro nestas legislativas, por uma questão de desgaste da imagem do admirável, rigoroso e inteligente FL, e para se dar o exemplo da pluralidade que defendemos, bem como para criar outra capacidade de diálogo com todas as forças políticas. Mas com FL, sempre por perto.
Ambos responderam. FL 'registou' com um agradecimento. MP, com disponibilidade, disse, sintetizo, que acreditava que estava na hora de passar o testemunho aos jovens, que havia muitos e qualificados...
A partir daqui tenho muitas teorias para o presente fracasso da Esquerda em Portugal e em especial do B.E.
A imagem, a energia que Louçã emana, reflecte a injustiça que está a ser praticada, mas não ganha votos, não é popular, não é tão simpática quanto a de actores-politicos. A maioria das pessoas não ouve criticamente Política, olha, de esguelha enquanto se queixa...
Concordo que a apresentação da Moção de Censura foi extemporânea, mas a própria fez todo o sentido na semana da Manifestação do 12 de Março, onde estive presente em fraternidade entre Amigos.
Concordo que o B.E., tal como Carvalho da Silva fez, devia ter ido representar os seus junto da Troika, mas nunca assinando este Dramático memorando.
Assim, concordo com a exemplar marcação imediata de debates vários, abertos e sem tabus. Sem dúvida que, com tal expressão da população, entramos Todos num forte período de reflexão e trabalho.
Não concordaria era com a demissão da direcção. Os dois erros que entendi, não chegam para cobrir a estrutura e as propostas que o B.E. disponibilizou ao País, com todo o esforço, estudo e trabalho. Entre elas a da reestruturação (não estou a falar do não pagamento, para os demagogos) que já vem sido aceite por alguns elementos dos partidos da troika, e que só não é imediata, para os credores (bancos, outras instituições financeiras e grupos económicos de grande escala) conseguirem, enquanto podem, liquidar seus empréstimos lucrativos à custa, suor e lágrimas da população.
Não nos podemos esquecer das condições em que ocorreram estas eleições tendenciosas. Um acordo prévio assinado, imposto por tecnocratas, um género de democracia suspensa (como queria a outra senhora e a outra), onde a comunicação social, dependente de tantos grupos económicos, distribui os tempos de antena e comentadores a seu belo prazer.
As próprias sondagens diárias, algumas feitas para uma amostra de cerca de 1500 pessoas e para telefone fixo (amostra muito discutível) tiveram uma grande influência na crença de uma alternativa real a este estado de clientelismo e de prioridades financeiras, com constantes apelos ao voto útil. Útil para quem?
Demograficamente, somos uma população envelhecida. Estamos cansados.
Desacreditados da Política, nem a queremos pensar... E como o Mundo tem mudado entretanto.
Porque temos os nossos problemas pessoais (e não só), não temos a disponibilidade crítica para reflectir sobre os conteúdos da Política e suas propostas reais.
Estamos ultrapassados pelo Tempo e pelo Poder do Dinheiro.
Seremos analfabetos políticos? Quem leu o memorando aceite?
As pessoas perceberão, sentirão o memorando a conta-gotas e rápido, qual será sua reacção? Olha-se para a Grécia?!
Paz, Amor e Respeito
Bruno Gonçalves