Poluidores aproveitaram dia de eleições para fazer descargas no rio Nabão

05 de fevereiro 2021 - 15:18

Há décadas que as descargas se repetem sem que os municípios de Tomar e Ourém, ou o Estado, implementem alterações à fiscalização ou invistam na despoluição do rio, denuncia a distrital bloquista de Santarém

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No dia das eleições presidenciais, a 24 de janeiro, verificou-se mais um novo, intenso e prolongado episódio de descargas poluentes no rio Nabão. A deputada Fabíola Cardoso, eleita pelo distrito de Santarém, confrontou o Ministro do Ambiente sobre este grave atentado ecológico no Nabão que, para desespero da população, “se repete com frequência e dura há décadas”.  

Na fonte da poluição estarão atividades no concelho de Ourém, descargas que são tratadas na ETAR de Seiça. “Tomar, tal como Ourém, não pode orgulhar-se do saneamento básico do concelho e tem revelado uma total ausência de fiscalização e vigilância dos agentes poluidores, a montante do rio”, diz o comunicado da Distrital do Bloco de Esquerda de Santarém.

A criação da empresa “Tejo Ambiente, Empresa Intermunicipal do Ambiente do Médio Tejo”, presidida atualmente pela Presidente da Câmara de Tomar, não produziu “os avanços esperados e nada foi resolvido”.

Em 2020, os deputados europeus do Bloco, Marisa Matias e José Gusmão, levaram o problema da poluição do Rio Nabão ao Parlamento Europeu, que endereçou um pedido de explicações ao Governo português.

“O que poderia ter sido uma oportunidade para procurar ajuda financeira para o projeto ambientalista da despoluição do Nabão, não o foi. Ou pelo menos, não se viu qualquer consequência prática”, diz ainda a deputada.

Na resposta enviada ao parlamento, a Secretária de Estado Inês Costa não faz referência a qualquer projeto ou plano em curso, nem aos custos e fontes de financiamento, referindo apenas que a situação “estará a evoluir favoravelmente” e que “as Câmaras de Tomar e Ourém estão a trabalhar para resolver a situação”.

Na resposta, a responsável do governo afirma que a empresa Tejo Ambiente estará a colaborar com a APA, concluindo que “as medidas estão todas em curso e esperamos que sejam eficazes para resolução do problema assim que possível”. Mas não fez qualquer menção à ETAR ou ao plano de investimento de 15 milhões de euros já anunciados como necessários pela Presidente e pelo Diretor da Tejo Ambiente.

“O Bloco de Esquerda considera inaceitável que se continue a fazer tabu em atentados ambientais desta gravidade”, escrceve em comunicado o Secretariado da Coordenadora Distrital do Bloco de Santarém. A distrital bloquista “manifesta o seu repúdio pela situação, solidariza-se com a população de Tomar e exige do Ministério do Ambiente e de todos as entidades envolvidas, transparência, seriedade e celeridade na resolução deste atentado ecológico e também para a saúde pública”.