Investigadores da Universidade Jaume I, da Comunidade Valenciana, realizaram o primeiro estudo que visa estimar a mortalidade prematura e casos de asma na Europa derivados da exposição ao dióxido de azoto, NO2, o gás tóxico emitido pelos fogões.
Há fogões a gás em 33% dos lares da União Europeia, com a percentagem a superar os 60% em vários países. No Reino Unido o valor é de 54%. E já se conheciam efeitos deste gás na asma infantil, na mortalidade prematura e em outras doenças. Agora, o relatório “Avaliação dos impactos e custos na saúde associados à exposição ao dióxido de azoto em ambientes fechados relacionados com o cozinhar a gás na União Europeia e no Reino Unido” dedicou-se a mapear os valores da concentração deste gás nos lares, tendo concluído que, em mais de metade dos países analisados, estes excediam os valores de referência da Organização Mundial de Saúde.
Daqui resultou a estimativa que aponta para a morte prematura, a cada ano, de 36.031 pessoas na UE e 3.928 no Reino Unido por doenças pulmonares e cardíacas associadas àquele gás. Trata-se do dobro do número de mortes de acidentes viários e os dados são considerados pelos próprios como conservadores já que a investigação apenas incidiu sobre o NO2 e não sobre outros gases como o monóxido de carbono e o benzeno.
Em média, aquele gás, conclui-se, implica a perda de dois anos de vida.
A conclusão é que esta exposição tem “bem mais impactos na saúde da população europeia do que o pensado anteriormente”. É o que confirma a autora principal do estudo, Juana María Delgado-Saborit que dirige o laboratório da saúde ambiental daquela instituição de ensino. Ela afirma que “em 1978, aprendemos pela primeira vez que a poluição por NO2 é muitas vezes maior nas cozinhas que utilizam gás do que nos fogões elétricos. Mas só agora podemos calcular o número de vidas que estão a ser interrompidas.”
E os dados agora conhecidos vão no mesmo sentido dos de um estudo feito nos Estados Unidos e publicado em maio passado que estima 19.000 mortes por ano por esta causa.
Para resolver estes problemas, recomendam-se no estudo da Universidade Jaume I políticas que ajudem a promover alternativas ao cozinhar a gás e a melhorar a ventilação.