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Políticas socioeconómicas “são importantes para conter e prevenir novos surtos”

Moisés Ferreira defende a necessidade de garantir regulamentação adicional sobre as empresas de trabalho temporário, combate à precariedade e garantia de alojamento e salários dignos para mitigar os fatores que aumentam a vulnerabilidade de algumas populações à pandemia.
Moisés Ferreira em declarações à saída da VII Sessão de apresentação sobre a “Situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal”, no Infarmed, em Lisboa.
Moisés Ferreira em declarações à saída da VII Sessão de apresentação sobre a “Situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal”, no Infarmed, em Lisboa. Fotografia de Tiago Petinga/Lusa.

À saída da sétima reunião de especialistas, políticos e parceiros sociais no Infarmed para analisar a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, Moisés Ferreira defendeu a necessidade de se criarem medidas que mitiguem as causas socioeconómicas que têm um impacto na disseminação da pandemia. 

Se as causas que "tornam determinadas populações mais vulneráveis a estes surtos” são socioeconómicas, são então “precisas medidas para as mitigar”, defendeu o deputado do Bloco de Esquerda. 

Como medidas que podem ter um impacto direto na diminuição dos fatores de risco para a transmissão da pandemia entre grupos mais vulneráveis, Moisés Ferreira defendeu a garantia de “alojamento digno a quem neste momento não tem condições de habitação”, uma regulamentação adicional sobre as empresas de trabalho temporário que “não podem fazer transportes de trabalhadores sem qualquer tipo de condição” e ainda o combate à precariedade e a aposta no “salário digno” para assegurar que “estas pessoas têm rendimentos que permitam viver com condições”.

“Isto são as medidas que são essenciais tomar para conter surtos e para prevenir o aparecimento de novos surtos. São as medidas que é preciso tomar para mudar estes determinantes sociais e económicos que realmente estão a influenciar o desenvolvimento da epidemia em Portugal e agora na região de Lisboa e Vale do Tejo em particular”, sustentou o deputado à agência Lusa.

Em causa estão os focos de infeções encontrados na Grande Lisboa, mais concretamente casos de trabalhadores imigrantes que partilham a mesma casa e vivem em comunidades mais fechadas, e os surtos identificados em empresas na Azambuja, compostos por imigrantes arregimentados por empresas de trabalho temporário. Estas situações vêm comprovar a tese defendida por muitos especialistas que dizem que a pandemia veio agravar as desigualdades sociais e económicas que já existiam na sociedade.

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