Está aqui

Políticas de austeridade lançam na pobreza um quarto dos europeus

Na União Europeia (UE) há 123 milhões de pobres, um quarto da população europeia. Um relatório da Oxfam salienta que “a pobreza na UE não é um problema de escassez, mas de distribuição” de rendimento e riqueza, destaca o agravamento das desigualdades e aponta como causas principais as políticas de austeridade e os sistemas fiscais injustos.
Na UE, 50 milhões de pessoas têm “severas privações materiais" - Foto de Paulete Matos

A Oxfam divulgou nesta quinta-feira, 9 de setembro de 2015, o relatório “Europa para a maioria e não para as elites” (o relatório pode ser acedido aqui em inglês e aqui em espanhol).

Na UE, 123 milhões de pessoas estão em risco de pobreza ou exclusão social – um quarto da população – e 50 milhões de pessoas têm “severas privações materiais, pois não têm dinheiro suficiente para pagar o aquecimento das suas casas ou para enfrentarem gastos imprevistos”, salienta o relatório.

O documento sublinha que “entre 2009 e 2013, nos 27 países da UE, 7,5 milhões de pessoas passaram a fazer parte da população que vive com severas privações materiais, registando-se um aumento em 19 países”. O relatório refere também que o desemprego continua a ser muito elevado, em muitos países e que mesmo as pessoas que estão empregadas viram os seus rendimentos estagnar ou até serem reduzidos e destaca que as mulheres, os jovens e os imigrantes são as camadas sociais com maiores riscos de viver na pobreza.

Pobreza na UE “não é um problema de escassez”

“Os sete milhões de pessoas mais ricas da Europa possuem a mesma riqueza do que os 662 milhões mais pobres” (incluindo os países que não pertencem à UE)

A Oxfam realça que a pobreza na UE “não é um problema de escassez, mas de distribuição de recursos (rendimento e riqueza)” e, citando dados do Credit Suisse, aponta que o 1% mais rico da Europa (incluindo os países que não pertencem à UE) “possui quase um terço da riqueza do continente, enquanto que os 40% mais pobres” têm menos de 1% da riqueza total do continente. “Os sete milhões de pessoas mais ricas da Europa possuem a mesma riqueza do que os 662 milhões mais pobres” (incluindo os países que não pertencem à UE).

Fatores que agravam a desigualdade e a pobreza na UE

O relatório aponta três fatores que agravam a desigualdade e a pobreza na UE:

1. Os ricos, as grandes empresas e os lóbis “sequestraram os processos de tomada de decisão política” para favorerem os seus interesses em detrimento da maioria da população.

2. As políticas de austeridade estão a ter um “grave impacto” nas sociedades europeias e lançaram a responsabilidade da redução do défice público “inteiramente na população mais pobre e vulnerável”

3. Injustos sistemas fiscais que “não só não corrigem as desigualdades de rendimento como, o que é pior, estão a agravar a desigualdade”.

“A fraude e a evasão fiscal na UE ascende a um bilião [milhão de milhão] de euros anuais, um montante que permitiria duplicar o investimento total em saúde pública nos países da UE”

A Oxfam salienta que os sistemas fiscais “tendem sistematicamente a penalizar em maior medida o trabalho e o consumo do que o capital” e permitem que as pessoas com rendimentos mais elevados, os ricos e as empresas mais lucrativas “contornem as suas obrigações fiscais”.

“A fraude e a evasão fiscal na UE ascende a um bilião [milhão de milhão] de euros anuais, um montante que permitiria duplicar o investimento total em saúde pública nos países da UE”, destaca a Oxfam.

Quatro recomendações para combater a pobreza e o agravamento da desigualdade

O relatório aponta quatro recomendações para “garantir maiores níveis de igualdade e desenvolvimento para a cidadania”:

1. “Fortalecer a democracia institucional”, para fomentar a participação cidadã, “especialmente na elaboração de orçamentos e na atribuição dos recursos”.

2. “Reinvestir nos serviços públicos”, nomeadamente garantindo que “os cuidados de saúde e a educação sejam gratuitos, públicos e universais para todas as pessoas”.

3. “Empregos e salários dignos”, nomeadamente garantindo que o emprego esteja “ligado aos sistemas de proteção social”.

4. Justiça fiscal, nomeadamente promovendo “sistemas fiscais nacionais progressivos em toda a Europa”

Termos relacionados Sociedade
Comentários (1)