Polícias acusam Capucho de "alarmismo"

16 de julho 2010 - 14:59

O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia insurge-se contra o sensacionalismo das notícias e a reacção do autarca de Cascais sobre a segurança nas praias do concelho.

PARTILHAR
Cinco anos após o arrastão, a praia do Tamariz foi agora o palco do sensacionalismo da imprensa para aumentar o sentimento de insegurança. Foto Portuguese_eyes/Flickr

Dois incidentes registados a 4 de Julho na praia do Tamariz foram aproveitados por António Capucho para exigir na televisão o reforço do policiamento na praia. Para o sindicato, Capucho "ajudou igualmente a aumentar o sentimento de insegurança dos cidadãos, acabando por prejudicar os interesses turísticos no respectivo concelho".



"Para além disso, foi possível assistir a declarações que mexeram sub-repticiamente em sentimentos de desconfiança e de discriminação para com os portugueses de origem africana, descendentes de segunda e terceira gerações, estigmatizando essas mesmas comunidades, como se se desejasse que as praias do Concelho de Cascais não fossem frequentadas por indivíduos de determinada etnia", destaca ainda o comunicado do SNOP.



Os oficiais de polícia vão mais longe e dizem que "a concentração de meios e a gestão de recursos policiais não pode (nem deve) estar sujeita às pressões e às declarações sensacionalistas de responsáveis políticos (quer sejam dirigentes partidários, autarcas ou outros) que parecem estar mais interessados em manipular os assuntos de segurança para efeitos mediáticos e partidários, do que em se co-responsabilizarem na adopção de políticas públicas sociais, económicas e de segurança".



Os incidentes na praia do Tamariz registaram-se à hora de almoço e a meio da tarde. No primeiro caso tratou-se de uma rixa entre dois grupos de jovens e no segundo foi um assalto que terminou com um ferido. A PSP interveio e identificou duas pessoas envolvidas nos incidentes.



O alarmismo gerado pelas declarações de Capucho levou o governo a anunciar o reforço do policiamento nas praias e a promover uma operação mediática que consistiu na revista de um grupo de dezenas de jovens, todos encostados à parede enquanto um agente gritava aos microfones das televisões: "A partir de agora há tolerância zero na praia do Tamariz".



Nos dias que se seguiram, alguma imprensa continuou a relatar o suposto "clima de insegurança" que se vive nas praias da linha de Cascais. Neste aspecto destacou-se o "Correio da Manhã", voltando a dar como notícia verdadeira o célebre "arrastão de Carcavelos" em 2005, que se traduziu num exemplo de manipulação mediática em Portugal, ao ponto da própria PSP ter sido obrigada a confirmar que o "arrastão" nunca aconteceu.

Termos relacionados: Sociedade