Polícia pode, quer e manda nos aeroportos

09 de julho 2011 - 10:33

Há uma espécie de buraco negro na zona internacional dos aeroportos, onde a polícia pode, quer e manda, e mais ninguém tem possibilidades de verificar se ela está a proceder bem ou mal”, denuncia Sérgio Tréfaut, realizador de "Viagem a Portugal", um filme sobre as práticas de detenção e repatriamento de estrangeiros à chegada aos aeroportos em Portugal.

PARTILHAR

Tréfaut falou ao Esquerda.net sobre o filme conta a história da médica ucraniana Maria (interpretada por Maria de Medeiros) que vem passar o ano com o marido (senegalês no filme, interpretado por Makena Diop), que trabalhava nas obras da Expo’98. É interrogada por uma inspectora já vestida para passar o ano (interpretada por Isabel Ruth), que lhe barra a entrada. Dorme na cela do aeroporto, de onde ouve o fogo de artifício em toda a cidade. Saturada, acata comprar bilhete de volta para a Ucrânia. Voltará por terra, mais tarde.

“É uma espécie de buraco negro o que acontece na zona internacional dos aeroportos, onde a polícia pode, quer e manda, e mais ninguém tem chances de verificar se essa mesma polícia está a proceder bem ou mal”, enfatiza o cineasta.

“Poucas pessoas sabem que há dez pessoas por dia, em média, que são recambiadas do aeroporto de Lisboa nos últimos dez anos. Este é um facto que é importante chamar a atenção”, explica Sérgio Tréfaut, que destaca que nas zonas internacionais dos aeroportos “não há direito de defesa. É tudo feito de modo a que as pessoas não consigam contactar um advogado. Por mais que o SEF diga o contrário, é assim que a coisa se processa”.

O mais incrível é que oitenta por cento dessas expulsões não corresponde a crime nenhum. “A criminalização corresponde a uma vontade de limitar a imigração”, aponta o realizador. “Ora essa vontade é vazia, porque a própria economia tem um poder de limitação muito superior a essa psicologia vagabunda dos agentes do SEF que decidem que 'Ah, essa pessoa não se vai dar bem aqui.' Todas as intenções de pseudo-regular a economia nos aeroportos são uma falsidade, porque as pessoas que querem vêm de qualquer jeito.”