Petrolífera saudita bateu recorde mundial de lucros

13 de março 2023 - 12:02

A Saudi Aramco anunciou lucros de 151 mil milhões de dólares, o triplo da Exxon e o quádruplo da Shell, BP e Chevron, que também bateram os seus próprios recordes em 2022. "É escandaloso", diz a Amnistia Internacional.

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Campo petrolífero de Khurais, na Arábia Saudita. Foto Saudi Aramco.

A indústria petrolífera mundial lucrou como nunca no ano passado e o recorde mundial foi estabelecido pela Saudi Aramco, detida na quase totalidade pelo reino saudita, com 151 mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre de lucros nesta indústria e que representa uma subida de 46,5% face ao ano anterior.

A empresa saudita é a segunda cotada mais valiosa a seguir à Apple e justifica o recorde de lucros com a subida do preço do petróleo, o aumento do volume de vendas e das margens praticadas nos produtos refinados. Segundo o Guardian, a Saudi Aramco promete continuar a investir para aumentar o potencial máximo de produção para os 13 milhões de barris diários até 2027.

Em reação ao anúncio destes lucros, a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, afirmou que “é escandaloso que uma empresa obtenha lucro de mais de 151 mil milhões de euros num único ano com a venda de combustíveis fósseis, o principal fator da crise climática”. E o “mais chocante”, prosseguiu, foi que isso aconteceu "durante uma crise global do custo de vida e ajudado pelo aumento dos preços da energia decorrente da guerra iniciada pela Rússia com a invasão da Ucrânia”.

Para a Amnistia Internacional, chegou o momento de a Arábia Saudita "agir no interesse da humanidade e apoiar a eliminação gradual da indústria de combustíveis fósseis, que é essencial para evitar mais danos climáticos". A Saudi Aramco detém a maior percentagem no que diz respeito a empresas por todas as emissões globais de gases de efeito estufa, com 4,8% desde 1965. Por isso, a Amnistia Internacional defende que estes lucros sejam canalizados no financiamento de uma “transição justa e baseada nos direitos humanos para a energia renovável".