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Pepe Mujica renuncia ao cargo de senador

Alegando razões pessoais e o “cansaço de uma longa viagem”, o ex-presidente uruguaio anunciou a saída do Senado. Mas “enquanto a mente funcionar, não renunciarei à solidariedade e à luta de ideias”, avisou.
Jose Mujica numa reunião na Organização dos Estados Americanos em 2014. Foto OEA/Flickr

“Os motivos são pessoais, diria um ‘cansaço de uma longa viagem’. O carácter de renúncia voluntária e a legislação vigente ditam que não me corresponde o benefício do subsídio estabelecido porque vou entrar na reforma”, diz a carta enviada esta terça-feira por Jose Mujica à presidente do Senado.

Mujica despediu-se na segunda-feira dos seus colegas na comissão de Finanças do Senado uruguaio, para o qual foi eleito nas últimas eleições. Mas a partida do ex-presidente conhecido pela sua simplicidade e pelos firmes princípios em prol da justiça social não significa o abandono da atividade política.

“Enquanto a mente funcionar, não renunciarei à solidariedade e à luta de ideias”, acrescentou Mujica, concluindo com um pedido de sentidas desculpas aos restantes senadores “caso alguma vez, no calor dos debates, possa ter ferido de forma pessoal” algum deles.

Em julho, Pepe Mujica recusou o pedido do Movimento de Participação Popular para que ponderasse uma recandidatura à presidência do país. “A biologia não entende os argumentos políticos. Em função da biologia tenho uma decisão antiga que vou manter. Não serei candidato e quero deixar isso bem claro”, afirmou o ex-presidente, declarando a sua simpatia pelo atual ministro da Economia, Daniel Astori e sublinhando a necessidade de uma candidatura capaz de negociar e unir vários setores do país, num tempo ensiombrado pelo impacto que terá na região a escalada da guerra comercial entre os EUA e a China.

Reagindo à despedida de Mujica do Senado, a senadora do MPP Ivone Passada lamentou a perda de um político que “conseguia o silêncio da sala para o ouvir” e afirmou que este “é um dia importante também para ele ao iniciar um caminho diferente”, embora prosseguindo a política que “é a sua profissão de todos os dias”.

Nascido em 1935, Jose Mujica passou quinze anos nas prisões da ditadura por causa da sua militância no Movimento de Libertação Nacional nos anos 1960. Foi deputado a partir de 1995 e depois senador e ministro da Agricultura a partir de 2005, antes de cumprir o mandato presidencial entre 2010 e 2015.

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