PCP + Bloco não somam! O PS não é um partido de Esquerda! E o Manuel Alegre foi um mau candidato

24 de junho 2011 - 0:44

Contributo de José Moreira

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Depois da derrota da alternativa de esquerda na últimas eleições legislativas, em que como sempre o PCP obteve mais uma vitória, o ónus da derrota coube por inteiro ao Bloco de Esquerda. Se é inegável a derrota eleitoral, pois a votação do Bloco baixou para cerca de metade da obtida em 2009, a análise desta questão, como bem apontou no post anterior o João Brandão, não se esgota nos números.

Estou certo do acerto da análise da situação económica de Portugal e da Europa feita pelo Bloco de Esquerda, aliás basta ler o que veem escrevendo inúmeros economistas como o insuspeito Paul Krugman, e não será necessário que passe muito tempo para provar da justeza das nossas teses. O facto é que o nosso programa não foi acolhido pelo eleitorado, e daí não vem mal maior ao mundo, já que a intervenção política não se esgota na via parlamentar!

Sobre as causas da derrota não vou fazer nenhuma análise pessoal profunda, apenas aponto para duas causas principais:

-erros de comunicação do programa do Bloco.

-a alternativa de esquerda não foi entendida como tal pela generalidade do eleitorado.

Muita tinta foi já derramada na explicação da derrota eleitoral. Fazendo uma análise sucinta do que tem sido escrito, temos duas correntes de pensamento que se excluem mutuamente (interessante contradição). A primeira afirma que a raiz de todos os males foi o apoio à candidatura de Manuel Alegre, já que o apoio a esta candidatura, para além da polémica interna, induziu confusão nos eleitores, pois o Bloco de Esquerda objetivamente poderá não ter apoiado a mesma candidatura, mas apoiou o mesmo candidato que o PS! A candidatura poderia até ser correcta do ponto de vista estratégico, mas o candidato era, tal como demonstrou nos últimos meses péssimo.

E esta foi sem dúvida uma das razões da derrota eleitoral!

Do outro lado da barricada estão aqueles que apregoam que não há esquerda sem o PS, e que o Bloco nunca poderia apresentar uma moção de censura, cavalgando a estratégia do PCP, nem ter-se aproximado do dito partido com uma proposta de uma alternativa de esquerda, já que estaríamos deste modo a clonar o PCP, e os eleitores preferiam o original à cópia.

E estas foram também, inequivocamente, razões para a derrota eleitoral do Bloco de Esquerda.

Não deixa de ser curioso que ambas as posições apontem causas correctas, mas não tenham nem uma nem outra razão! Isto é, se as causas da derrota podem ser encontradas em ambas as posições, já a análise parcial que cada uma destas correntes faz, ao excluírem-se mutuamente, revela-se profundamente errada.

PCP + Bloco não somam!

O PS não é um partido de Esquerda! E o Manuel Alegre foi um mau candidato.

Curiosamente ambas as tendências pedem as cabeças do comissão política e a convocação de uma Convenção Extraordinária! Decapitar o partido na situação presente resultaria numa perda para o movimento, não tem de ser essa a via! A Convenção Extraordinária não é também o local para o debate que se requer longo, ponderado e aberto. Os activistas do Bloco e todos aqueles que se lhe queiram juntar devem reflectir seriamente o partido / movimento, nas estruturas locais e distritais. Todas e todos somos chamados à política, não pode haver partido sem militância. Organizem-se assembleias abertas por todo o território, a mesa nacional e a comissão política deverão ouvir, o partido é um colectivo e deve funcionar enquanto tal.

Devemos reforçar:

A integração no movimento social mas, também pensar a organização do partido!

A participação na Intersindical mas, definir políticas de intervenção sindical e não descurar o trabalho nos sindicatos independentes e fora da Intersindical.

A diversidade de opiniões mas, procurando um programa de acção comum e claro do ponto de vista ideológico.

José Moreira

Militante do núcleo de Faro do BE