Passos Coelho assume-se líder da agenda ultraconservadora

08 de abril 2024 - 14:55

O antigo líder do PSD vai apadrinhar o lançamento do livro "Identidade e Família", que reúne textos de figuras ultraconservadoras contra o divórcio, o casamento LGBT, a eutanásia, educação sexual ou a criminalização das "terapias da conversão".

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Pedro Passos Coelho
Pedro Passos Coelho. Foto Tiago Petinga/Lusa

Depois de entrar na campanha eleitoral a sugerir acordos entre o PSD e o Chega, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho regressa às atividades públicas para apresentar um livro que condensa o pensamento mais reacionário da sociedade portuguesa acerca da família, em defesa do retrocesso em relação aos direitos conquistados nas últimas décadas. Em 2007, Passos Coelho foi uma das figuras do PSD que votou Sim no referendo à despenalização do aborto.

"Identidade e Família - Entre a consistência da tradição e as exigências da modernidade" é o título do livro coordenado por quatro fundadores do Movimento Acção Ética: António Bagão Félix, Victor Gil, Pedro Afonso e Paulo Otero, o professor de Direito que ficou conhecido pelo exame em que comparava o casamento entre pessoas do mesmo sexo a uma união entre pessoas e animais. Entre os autores estão figuras como César das Neves, Jaime Nogueira Pinto, Ribeiro e Castro, Manuel Monteiro, Pedro Afonso, Gonçalo Portocarrero de Almada, Isabel Galriça Neto e o bispo Manuel Clemente, entre outros.

Alguns dos contributos publicados neste livro e citados pelo Expresso atacam as mudanças legislativas das últimas décadas que resultaram na eliminação de discriminações e na conquista de direitos, como a despenalização do aborto e da morte medicamente assistida, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que chamam de facilitação do divórcio", a autodeterminação de género ou a introdução da educação sexual e da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, entre outras matérias.

A escola pública é um dos alvos principais destes autores, que a acusam de promover o que chama de "ideologia de género" e o "esvaziamento ético e moral" do seu conceito de família. Os coordenadores apontam o dedo aos "adversários da família", que do seu ponto de vista é "a primeira instituição contra o relativismo ético, a indiferença e a licenciosidade, a propagação anestesiante da cultura de morte, o positivismo hedonista, o egoísmo geracional, o individualismo predador, o subjetivismo e o fundamentalismo a-histórico".

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