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Partido de Bolsonaro entregou assinaturas falsas e de mortos para se legalizar

Só 3,2% das assinaturas necessárias para constituir um partido foram validadas até ao momento. A maior parte das assinaturas entregues pelo Aliança pelo Brasil estavam irregulares.
Jair Bolsonaro em ação do Aliança pelo Brasil em janeiro de 2020. Foto de José Cruz/Agencia Brasil.
Jair Bolsonaro em ação do Aliança pelo Brasil em janeiro de 2020. Foto de José Cruz/Agencia Brasil.

O Aliança pelo Brasil, o partido que o presidente brasileiro quer constituir, precisa de 492 mil assinaturas, em nove das 27 unidades federativas do país, para se legalizar. Mais de meio ano depois de ter sido anunciado, apenas conseguiu entregar 3,2% das assinaturas regulares necessárias.

Das assinaturas que foram verificadas, apenas 15.721 foram aceites pelo Tribunal Superior Eleitoral brasileiro. Mais de 25 mil foram rejeitadas. Ou seja, a maior parte das assinaturas entregues (61%) não estava em situação regular. Entre as irregularidades estavam assinaturas de 150 eleitores não existentes, de 44 pessoas que já tinham falecido, 1.284 duplicadas, inúmeras assinaturas falsas e de 18.112 pessoas filiadas noutros partidos.

A justiça eleitoral brasileira está ainda a verificar mais 98.873 assinaturas. Depois de conseguir atingir o patamar requerido pela lei, há ainda um período de impugnação para outros partidos que pode arrastar o processo.

Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 pelo Partido Social Liberal mas acabou por se desentender com o oitavo partido a que pertenceu ao longo da sua carreira políticas. Uma vez que o PSL era um partido relativamente pequeno e que o seu crescimento eleitoral se tinha devido ao fenómeno Bolsonaro, pareceria à primeira vista que seria fácil o presidente da República dominar o campo político da extrema-direita brasileira. Mas as coisas não lhe estão a correr bem. O novo partido colocara como prazo para terminar o processo abril deste ano, de forma a concorrer às próximas eleições municipais, mas não conseguiu cumpri-lo.

Também não correm bem porque parte da direção do novo partido está já a ser investigada pela Justiça. Numa das investigações está em causa o apoio às manifestações que defendiam um golpe de Estado no país. A outra é a do chamado “gabinete do ódio”, a máquina de criação e difusão de mentiras nas redes sociais. Entre os investigados estão o vice-presidente da Aliança pelo Brasil, Luis Felipe Belmonte, o responsável pela publicidade, Sergio Lima, e mais onze parlamentares.

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