No final de dezembro, o Bloco de Esquerda deu entrada no parlamento de uma proposta para reverter a abolição de um dia de falta justificada ao trabalho para dadores de sangue. É uma medida que foi extinta há mais de dez anos, e que o Bloco quer trazer de volta para pôr um travão à descida constante de dádivas de sangue em Portugal.
Em entrevista ao Público, a dirigente bloquista Marisa Matias alerta para a situação das reservas de sangue, que estão em baixa e que “põe em causa a prestação de cuidados de saúde e, em última instância, vidas que devem ser salvas”
Em Portugal, as dádivas de sangue dependem de dadores benévolos e a dirigente do Bloco de Esquerda salienta que há “várias razões associadas” à progressiva diminuição de dádivas de sangue. Neste caso, a proposta do partido “procura responder a uma razão concreta”, que é “a impossibilidade de ter o dia de descanso associado à dádiva”.
Isto porque não ter direito ao dia de descanso depois da dádiva de sangue pode significar que os dadores “se dediquem a trabalhos físicos pesados depois da dádiva”. Por isso, Marisa Matias considera que “manter a lei como está não só não garante direitos como desprotege os doadores junto das entidades patronais”.
Em outubro de 2024, uma das federações de dadores benévolos alertou para o facto de que as reservas nacionais estavam a cerca de 50% do que deviam estar, tendo cerca de cinco a seis mil unidades de sangue armazenadas.
“Os hospitais portugueses necessitam, diariamente, de cerca de 1100 unidades de sangue. Uma reserva considerada estável significa ter, pelo menos, 10 mil unidades”, lembra a dirigente bloquista. “A quebra nas reservas e nas doações podem, por isso, ter elevados impactos no funcionamento dos serviços de saúde.”