Pacote laboral é “pura obsessão ideológica” do Governo

26 de janeiro 2026 - 16:44

No final de um encontro com a direção da CGTP, José Manuel Pureza voltou a apelar à determinação de sindicatos, partidos e da sociedade em geral para derrotar a estratégia do Governo que se traduz num ataque de força inédita ao mundo do trabalho.

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José Manuel Pureza
José Manuel Pureza. Foto de Rafael Medeiros

Delegações da direção da CGTP e do Bloco de Esquerda reuniram esta segunda-feira à tarde em Lisboa. No final do encontro, José Manuel Pureza sublinhou o “grande patamar de convergência de posições” quanto ao momento político, onde a luta contra a proposta de pacote laboral do Governo assume a maior relevância.

“Devemos à greve geral uma mudança de agenda política: o país estava a discutir burcas e passou a discutir direitos do trabalho. Isso não é coisa pouca e deve-se a uma grande mobilização que deve continuar”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda, defendendo que “é importante que haja determinação das centrais sindicais, dos partidos e da sociedade em geral” no sentido de derrotar a estratégia do Governo que se traduz em “consumar um ataque de força inédita ao mundo do trabalho”.

Questionado sobre a postura que a ministra do Trabalho tem assumido neste processo, José Manuel Pureza respondeu que “a intransigência da ministra é a intransigência do Governo” e de Luís Montenegro, que é quem tem a responsabilidade política de conduzir o processo e o está a fazer com “pura obsessão ideológica”.

E a prova dessa obsessão é que enquanto defendia a necessidade deste pacote laboral, “o mesmo governo vangloriava-se das notícias saídas na imprensa internacional sobre a robustez da economia e apresentava as estatísticas do pleno emprego” em Portugal, prosseguiu Pureza, defendendo que “não podemos aceitar que a grande maioria do país seja vítima de uma pura teimosia ideológica por parte do primeiro-ministro”.

Sobre a intervenção que António José Seguro poderá ter se for eleito Presidente da República a 8 de fevereiro, o coordenador bloquista respondeu que “quanto mais forte for a luta de quem trabalha, mais sensibilidade haverá por parte de quem ocupa posições de responsabilidade no Estado português de acompanhar essa posição”. Seguro já afirmou que vetaria a proposta que existe e Pureza diz esperar “que sejam compromissos para valer”.

Pela parte do Bloco de Esquerda, “tudo faremos para dar luta total a este pacote laboral porque significa uma violência contra as pessoas, para os pais e mães que trabalham e veem o tempo para estar com os seus filhos muito limitado, para os precários que têm a condição de precariedade eternizada, para quem vive com um equilíbrio de salário minimamente relevante através de horas extraordinárias e vê esse pagamento descer”, concluiu.