Com os votos da esquerda parlamentar e do Chega, o pacote laboral foi chumbado esta sexta-feira no Parlamento, tendo recolhido o apoio do PSD, CDS e IL. André Ventura e Luís Montenegro ainda tentaram negociar a viabilização da proposta rejeitada pelos sindicatos e pelos trabalhadores em duas greves gerais, mas a ausência de acordo ditou o sentido de voto negativo do Chega.
“Durante meses, o Governo avançou unilateralmente com uma proposta dos patrões e desrespeitou os sindicatos. Hoje, essa proposta foi parar ao sítio certo: o caixote do lixo. Toda a gente que trabalha pode celebrar”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, logo após a votação da proposta.
Código do Trabalho
Chega engana trabalhadores por turnos: proposta da extrema‑direita é um embuste
“Foi a mobilização cívica que fez André Ventura protagonizar a cambalhota do século”
Em declarações aos jornalistas no final das votações, o deputado bloquista Fabian Figueiredo sublinhou que esta vitória dos trabalhadores se deve “aos milhares de portugueses que se mobilizaram, deixando claro que o Governo estava isolado e que a última coisa que o país precisa é de uma lei do trabalho que puxa os salários para baixo”.
“Foi essa mobilização cívica que fez André Ventura protagonizar a cambalhota do século”, prosseguiu o deputado do Bloco, recordando que “este processo começou com uma maioria de direita de dois terços disponível para aprovar o pacote laboral e acabou com uma ministra do Trabalho reduzida à sua arrogância e que deve perguntar a si própria se ainda tem lugar no Governo”.
“Hoje é um dia bom e começa um fim de semana mais desafogado para centenas de milhares de famílias portuguesas”, congratulou-se Fabian Figueiredo, insistindo que foi “a força cívica dos portugueses que fez com que a Assembleia chumbasse o pacote laboral” e que sem ela, e caso o Chega estivesse no poder, “faria uma proposta ainda pior que a do Governo”.