País precisa de "melhores transportes, não de transportes atrofiados"

06 de março 2012 - 12:52

Uma semana depois do Governo ter suprimido 150 ligações entre as duas margens do rio Tejo, colocando em causa a qualidade do serviço e os postos de trabalho no grupo Transtejo, Francisco Louçã efetuou esta manhã a ligação fluvial entre o Barreiro e Lisboa para denunciar um sistema de transportes “atrofiado”.

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Lembrando que Portugal é o único país europeu onde os transportes coletivos têm perdido milhões de passageiros, Francisco Louçã disse hoje, a bordo de um barco que fazia a ligação entre o Barreiro e Lisboa, que Portugal precisa de um “sistema de transportes melhor” e não de um “atrofiado”. 

As duas margens do rio Tejo estão mais longe uma da outra. Desde o início do mês de Março que a Transtejo e Soflusa suprimiram cerca de 150 carreiras, cancelando a ligação fluvial Trafaria-Porto Brandão-Lisboa e efetuando as ligações Lisboa-Montijo e Lisboa-Seixal apenas nos dias úteis e em períodos de hora de ponta.

O deputado do Bloco esteve ao início da manhã no Barreiro, tendo reunido com representantes dos sindicatos das empresas de transporte fluvial durante a viagem para Lisboa, e considerou “que os trabalhadores têm defendido os utentes destas ligações fluviais com muita coragem e é bom que o façam. As pessoas sentem que num país com dificuldades, quem faz sacrifícios para melhorar as ligações no Tejo são os trabalhadores”.

“Se fecharem carreiras, se se perderem postos de trabalho, se aumentarem os inconvenientes para os passageiros, isso quer dizer que estamos a desperdiçar recursos, estaremos a empurrar as pessoas para o automóvel privado e, sobretudo, a causar dificuldades, quando queremos soluções para a vida das pessoas”, declarou Francisco Louçã.

Filipe Marques, do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Ferroviário, também chama a atenção para o corte anunciado nos postos de trabalho. Nos primeiros horários que nos apresentaram não dispensavam trabalhadores, mas ontem já tivemos uma reunião com o conselho de administração onde nos disseram que pode haver corte de tripulações”.

Os funcionários da Transtejo e Soflusa realizam, da parte da tarde um plenário no Barreiro. Criticando as reduções de horários no transporte fluvial e as alterações de escalas de serviços, deverão calendarizar um dia de Greve durante o mês de Março.