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“Os dias de impunidade da Amazon acabaram”, avisam 401 parlamentares de 34 países

Jeremy Corbyn, Mélenchon, Rashida Tlaib, Varoufakis e Marisa Matias são alguns dos subscritores desta carta aberta a Jeff Bezos. Exigem respeito pelos direitos laborais, práticas tributárias mais justas e um compromisso com padrões ambientais mais elevados.
Amazon. Foto de FRIEDEMANN VOGEL, EPA/Lusa.

Os "dias de impunidade do gigante do comércio eletrónico acabaram", frisam os parlamentares, entre os quais os deputados bloquistas Pedro Filipe Soares, Maria Manuel Rola e Sandra Cunha e os eurodeputados Marisa Matias e José Gusmão.

“O mundo sabe que a Amazon pode pagar aos seus trabalhadores, o seu custo ambiental e os seus impostos. E ainda assim - uma e outra vez - esquivou-se e cancelou as suas dívidas com os trabalhadores, as sociedades e o planeta”, lê-se ainda na missiva, à qual se juntam quatrocentos e um políticos de esquerda de 34 países da Europa, América do Sul, América do Norte e Ásia.

A carta, compilada pelo Progressive International e UNI Global Union, conta com as assinaturas das congressistas norte-americanas Ilhan Omar e Rashida Tlaib, do ex-líder do Partido Trabalhista do Reino Unido Jeremy Corbyn, do porta-voz do Partido Democrático Popular da Turquia Ebru Günay, do líder do movimento França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, do ex-ministro das finanças grego Yanis Varoufakis e da vice-presidente do Parlamento Europeu, a eurodeputada finlandesa Heidi Hautala.

Desta forma, os parlamentares dão o seu apoio à campanha "Make Amazon Pay", comprometendo-se a apoiar o movimento nas suas instituições políticas nacionais.

Somos 401 parlamentares, de 34 países, e juntos dizemos a Jeff Bezos que os dias de impunidade da Amazon para com os...

Publicado por Marisa Matias em Sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

A Amazon tem vindo a lucrar bastante com a pandemia. No terceiro trimestre, a empresa relatou um aumento de 37% na receita em comparação com o ano passado, totalizando 96,1 mil milhões de dólares.

"Enquanto a sua riqueza pessoal aumentou cerca de 13 milhões de dólares por hora em 2020, os trabalhadores têm condições de trabalho perigosas, desfrutam de pouco ou nenhum aumento salarial e enfrentam retaliações por tentarem defender-se e organizar os seus colegas", apontam os parlamentares.

Na carta é ainda assinalado que a pegada de carbono da Amazon é maior do que a de dois terços dos países do mundo. Os parlamentares denunciam que os planos da empresa de reduzir as emissões de carbono são "insuficientes" e "difíceis de confiar, dado o histórico de promessas quebradas da Amazon no que respeita à sustentabilidade". A empresa é também acusada de evasão fiscal.

Um porta-voz da Amazon, citado pelo Politico, desmentiu todas as acusações, afirmando que "as questões levantadas nesta carta resultam de uma série de afirmações enganosas de grupos mal informados ou interessados ​​que parecem estar a usar o perfil da Amazon para promover as suas causas individuais".

"A Amazon tem um forte histórico de apoio aos nossos funcionários, clientes e comunidades, incluindo a garantia de condições de trabalho seguras, salários competitivos e grandes benefícios, liderando as mudanças climáticas com o compromisso do Climate Pledge de ser carbono zero líquido até 2040 e pagar milhares de milhões de euros em impostos em todo o mundo”, alegou.

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