Gaza

Organizações humanitárias denunciam fracasso do cessar-fogo em Gaza

10 de abril 2026 - 12:12

Oxfam, Save the Children e outras organizações para os refugiados fazem o balanço de seis meses do acordo de cessar-fogo, por entre a continuação da fome e da morte dos palestinianos vítimas dos ataques israelitas que nunca cessaram.

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Menina passeia junto a edifícios destruídos no campo de refugiados de Jabalya, no norte da Faixa de Gaza
Menina passeia junto a edifícios destruídos no campo de refugiados de Jabalya, no norte da Faixa de Gaza. Foto de Mohamed Saber/EPA

Cinco organizações humanitárias - o Conselho dos Refugiados Dinamarquês e o Norueguês, a Oxfam, a Refugees International, e a Save the Children - fizeram esta quinta-feira o balanço dos seis meses do plano de cessar-fogo da administração Trump, consagrado na resolução 2808 do Conselho de Segurança da ONU.

“Os palestinianos continuam a sofrer privações extremas, fome, ferimentos e mortes devido aos contínuos ataques do governo israelita, às restrições à circulação e aos obstáculos à prestação de ajuda”, dizem as organizações. Se o plano previa a entrada da ajuda humanitária no território e a ação das organizações humanitárias sem restrições, não é isso que acontece.

“Pelo menos duas crianças por dia foram mortas ou ficaram feridas nos seis meses desde que foi acordado o cessar-fogo para Gaza”, afirmou Inger Ashing, diretora executiva da Save the Children International. “Isto não é paz para as crianças de Gaza. O acordo de cessar-fogo não se traduziu numa proteção significativa para as crianças nem criou condições para a recuperação. Mesmo as suas disposições humanitárias – as mais simples de implementar – continuam a ser impedidas. Estamos prontos para intensificar os nossos esforços e apoiar a população de Gaza, mas temos de poder fazer o nosso trabalho”, acrescentou.

Para a líder da Oxfam America, as promessas de Trump para uma recuperação do território ficaram pelo caminho à medida que o presidente dos EUA desviou as atenções desta crise. “Seis meses depois, os palestinianos continuam a viver a mesma situação: vão para a cama com fome em tendas inundadas, enfrentam longas filas para obter água potável e sucumbem a doenças e ferimentos sem um sistema de saúde nem material médico básico. Tudo isto enquanto o governo de Israel lança bombas e corta a ajuda vital e salvadora, com o apoio dos EUA”, disse Abby Maxman, concluindo que “os palestinianos em Gaza precisam do nosso apoio e de pressão sobre os nossos líderes para que cumpram a promessa de paz, agora mais do que nunca”