Ordem de Nixon para derrubar Allende, apontam documentos divulgados

20 de setembro 2020 - 14:31

Em 15 de setembro de 1970, Richard Nixon, então presidente dos Estados Unidos, deu ordem para que Salvador Allende fosse impedido de assumir a presidência do Chile. A revelação está em documentos publicados pelo National Security Archive na passada terça-feira, 15 de setembro de 2020.

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Richard Nixon e Henry Kissinger - Foto da "Democracy Now"
Richard Nixon e Henry Kissinger - Foto da "Democracy Now"

Opção extrema”

O título do conjunto de relatórios que agora foram desclassificados é “A opção extrema: derrubar Allende”. Trata-se do anexo de um estudo da segurança nacional dos Estados Unidos, equacionando vantagens e desvantagens para a potência norte-americana de um golpe militar no Chile. Os documentos divulgados na passada terça-feira, 15 de setembro de 2020, estão disponíveis aqui.

Note-se que estes documentos são de 1970, mais de três anos antes do sanguinário golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, liderado pelo ditador chileno Augusto Pinochet. E a ordem de Nixon é anterior à própria vitória de Allende, que foi eleito presidente do Chile em outubro de 1970. A segunda volta das eleições decorreu a 24 de outubro de 1970.

Segundo os documentos agora divulgados, os EUA estabeleceram, em meados de agosto de 1970, um “roteiro” que levou ao golpe de Estado de 1973.

Um roteiro para o golpe

Peter Kornbluh, que dirige o projeto de documentação no Chile e é o autor do livro “Pinohet: Os arquivos secretos”, aponta: “Estes documentos traçam um roteiro para o golpe planeado pelos Estados Unidos”.

O investigador sublinha que a reunião de 15 de setembro de 1970 na Sala Oval marca “o primeiro grande passo para minar a democracia no Chile e apoiar o advento de uma ditadura militar”.

O National Security Archive salienta que após a vitória de Allende em 1970 o plano foi a “fórmula do caos”, para criar um “clima de golpe” e dar um pretexto para os militares tomarem o poder.

O National Security Archive refere ainda que “um número significativo de agentas da CIA, embaixadores e funcionários do Departamento de Estado” se opôs aos planos.

O investigador Peter Kornbluh disse à AFP que “estes documentos fornecem um rasto de papel cumulativo que expõe uma das operações mais vergonhosas e desacreditadas nos anais da política externa dos EUA, a promoção de um golpe de Estado preventivo no Chile”.

E concluiu: “Estes documentos são um lembrete nítido e doloroso de que tentar mudar o regime é um objetivo ilegítimo, custoso e contraproducente”.