OMS insta governos a incluírem migrantes nas suas respostas à pandemia

19 de dezembro 2020 - 21:04

Relatório da Organização Mundial da Saúde recomenda, entre outras medidas, "remover barreiras financeiras e outras barreiras aos serviços de teste e tratamento covid-19 e introduzir redes de apoio para mitigar os impactos sociais e económicos adversos da pandemia".

PARTILHAR
Foto de Bernardo Jardim Ribeiro, Creative Commons.

A covid-19 “piorou dramaticamente” a vida de migrantes e refugiados, conclui a Organização Mundial da Saúde (OMS) num extenso estudo sobre o impacto da pandemia. A OMS constatou que muitos migrantes e refugiados não conseguiram ter acesso ao tratamento para a covid-19, com 35% dos entrevistados a indicar restrições financeiras como motivo e outros 22% a assinalarem o medo da deportação.

“Mais de metade dos entrevistados em diferentes partes do mundo disseram que a Covid-19 causou maior nível de depressão, medo, ansiedade e solidão”, avança a OMS num comunicado à imprensa citado pela Euronews.

“Um em cada cinco também falou sobre a deterioração da saúde mental e o aumento do uso de drogas e álcool”, acrescenta.

Sam, um migrante na Grécia que vive nas ruas, relata como o coronavírus “tem sido um pesadelo para os sem-abrigo, na medida em que os serviços essenciais foram interrompidos”. “Não consegui ter acesso a uma casa de banho. Acabei por ter uma infeção do trato urinário e ir parar ao hospital devido à dor extrema ", disse Sam à OMS.

Para Lili, uma jovem migrante vietnamita que vive na Dinamarca, o sentimento de solidão foi a maior consequência da pandemia: “Sinto que não há ninguém em quem possa confiar agora. Não tenho uma rede de segurança financeira”, explicou. A jovem concluiu o mestrado recentemente e está desempregada.

O relatório insta os governos a incluírem os refugiados e os migrantes nas suas respostas à pandemia. “É vital para todos os países reduzir as barreiras que impedem os refugiados e migrantes de obter cuidados de saúde e incluí-los nas políticas nacionais de saúde”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Entre outras medidas, o relatório recomenda "remover barreiras financeiras e outras barreiras aos serviços de teste e tratamento covid-19 e introduzir redes de apoio para mitigar os impactos sociais e económicos adversos da pandemia".