OMS declara Mpox emergência sanitária internacional

15 de agosto 2024 - 12:47

Depois do surto de há dois anos, uma nova variante de transmissão sexual rápida ameaça a saúde não só de África mas do resto do mundo.

PARTILHAR
OMS e mpox.
OMS e mpox. Foto da OMS:

A Organização Mundial de Saúde lança o alerta internacional sobre a disseminação da Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos. Há atualmente um surto na República Democrática do Congo que já chegou a vários outros países africanos. Assim, depois de uma reunião da Comissão de Emergência de peritos independentes foi determinado pela instância da ONU que esta doença constitui uma situação de emergência internacional do ponto de vista internacional.

O diretor da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, justificou a decisão pelo surgimento de uma nova variante da doença, pela sua rápida propagação no leste da República Democrática do Congo e pelas notificações que estão a surgir em vários países vizinhos que são consideradas “o muito preocupantes”. Considera-se que, para além da doença se espalhar em vários países em África, há ainda o perigo de sair do continente.

O Presidente da Comissão de Emergência, Dimie Ogoina, confirma que “o atual aumento da mpox em partes de África, juntamente com a propagação de uma nova estirpe sexualmente transmissível do vírus da varíola dos macacos, é uma emergência, não só para África, mas para todo o mundo. A Mpox, originária de África, foi aí negligenciada e mais tarde causou um surto global em 2022. É tempo de agir de forma decisiva para evitar que a história se repita.”

A Mpox foi pela primeira detetada em humanos em 1970, precisamente no Congo. É causada por um orthopoxvirus e tem sido considerada como endémica nos países da África Central e Ocidental. Só se tornou notícia em julho de 2022 quando foi declarada emergência internacional depois de se ter rapidamente espalhado a países onde não tinha ainda sido detetada. Os casos foram descendo até que em maio do ano passado o nível de alerta que agora foi retomado tinha sido abandonado.

Este ano volta em força. Já há mais casos nestes meses de 2024 do que em todo o anos passado. Foram detetados 15.600 até ao momento com 537 mortes. A OMS sabe que o número verdadeiro de casos será bem maior, já que em muitos casos não há testes, e explica que a nova variante descoberta se espalha rapidamente sobretudo por via sexual. Ao contrário da anterior, que tinha sinais muito visíveis, esta causa sintomas moderados e lesões nos genitais sendo portanto mais difícil de identificar.

Há duas vacinas recomendadas pela OMS e a organização está a acelerar os processos que permitem que os países de baixo rendimento tenham acesso a elas. Estima que serão precisos no imediato 15 milhões de dólares para apoiar atividades de vigilância, preparação e resposta.