As trabalhadoras da limpeza industrial da Lucena & Lucena estão esta terça-feira em greve pelo pagamento dos salários a tempo e horas. O STTEPS, que convocou a greve, acusa ainda a empresa de ter reduzido os salários aos trabalhadores de forma unilateral, alegando a redução de horários por parte dos clientes.
A concentração destas trabalhadoras foi à porta da Escola Superior de Educação do Porto. Em declarações à RTP, uma das trabalhadoras afirmou que trabalha há 19 anos na empresa e “nunca pensei passar por isto”. Além da falta de salários e de descontos para a Segurança Social, fala também “em casos de trabalhadoras que se magoaram e não há seguro”.
O sindicato já pediu reuniões com clientes desta empresa, nomeadamente o Instituto Politécnico do Porto e a Câmara Municipal do Porto, no sentido de conseguir proteger as trabalhadoras. E avisa a empresa que se não tem capacidade para manter os locais de trabalho “deve diligenciar com o cliente a mudança de empresa com o máximo de urgência possível”, pois “só assim demonstrará responsabilidade na sua atuação”. A luta vai continuar com nova greve marcada para o dia 30 de abril.
Estratégia do Governo é “o desrespeito sistemático das organizações que defendem os trabalhadores”
Presente na concentração das trabalhadoras, José Manuel Pureza resumiu o que está em causa: “A Lucena & Lucena ganha concursos com propostas de custo escandalosamente baixo. Os seus clientes, muitos deles instituições públicas, a pretexto de decidirem pelo preço mais baixo, são coniventes com essa manobra. São as trabalhadoras da empresa que sofrem as consequências, privadas de salários e de descontos para a segurança social”.
O coordenador do Bloco de Esquerda diz que este é um exemplo de que “é precisa uma reforma do Código de Trabalho, mas, ao contrário da que Montenegro quer impor, o que o país precisa é de uma reforma que proteja quem trabalha destes desmandos."
Sobre o regresso do pacote laboral à mesa da concertação social após o chumbo das duas centrais sindicais, José Manuel Pureza afirmou que a estratégia do Governo neste processo tem sido “o desrespeito sistemático das organizações que defendem os trabalhadores”, seja ao retirar a CGTP da mesa de negociações, seja às pressões sobre a UGT para aceitar um acordo.
“Um acordo sem a CGTP é completamente inaceitável, representa um desrespeito para com quem trabalha”, prosseguiu Pureza, acusando a ministra de nunca ter negociado “coisa nenhuma”. “O que a ministra não está disponível é para retirar o pacote laboral da mesa”, quando é evidente que ele “já está derrotado pelas organizações de trabalhadores”, concluiu.