Na época quente, parte da vegetação do Pantanal seca. Debaixo de terra, torna-se um combustível perigoso que pode continuar a arder mesmo depois das chamas à superfície terem sido apagadas. Para combater este fogo invisível é preciso cavar trincheiras. Mas a longa extensão de terrenos dificulta e muito a tarefa.
Esta é a mensagem transmitida à Reuters pelos bombeiros envolvidos no combate aos incêndios. O tenente Isaac Wihby lança o alerta: “como é que se faz isso [cavar trincheiras] se temos uma linha de fogo de vinte quilómetros? Não é viável”.
Para além dos ventos poderem levar as chamas para longe, também os fogos subterrâneos podem ser uma armadilha para os bombeiros. Jean Oliveira diz que “por vezes [o fogo] passa por baixo dos quebra-fogos e os bombeiros são apanhados de surpresa.” “Por vezes, controlamos o fogo e ele não está verdadeiramente morto, está apenas a dormir”, acrescenta.
Há várias semanas que centenas de pessoas estão envolvidas nas operações de combate às chamas. Entre bombeiros, trabalhadores da área ambiental, guardas florestais e soldados. A semana passada foi de alívio devido a algumas chuvas mas esta semana os fogos voltaram.
A maior zona alagada contínua do mundo está a arder no que são os piores incêndios dos últimos 15 anos e que consumiram já 10% do Pantanal brasileiro, afetando a biodiversidade da região que conta com animais como os jaguares, pumas, capivaras e as antas. Ao mesmo tempo também arde parte do Cerrado, a savana brasileira, e da floresta tropical da Amazónia.
De 1 de janeiro a 23 de agosto deste ano, já foram consumidos entre 1.411.000 e 1.763.000 hectares do bioma. Destes,...
Publicado por Instituto SOS Pantanal em Quarta-feira, 26 de agosto de 2020