Extrema-direita

O grupo que foi apagado do RASI é suspeito das agressões n'A Barraca

11 de junho 2025 - 12:49

Grupo de extrema-direita "Blood & Honour" estará por detrás dos ataques. Mariana Mortágua lembra que foi Governo do PSD/CDS que tirou estre grupo do capítulo sobre "Extremismos e Ameaças Híbridas".

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Membros do Blood&Honour
Fotografia tirada a membros do grupo que atacou os atores à porta do Teatro A Barraca. Fotografia via GARA/Instagram.

As agressões da extrema-direita, na passada terça-feira, aos atores da Barraca que iam participar na peça “O Amor É um Fogo que Arde Sem se Ver...”, de Hélder Mateus da Costa e Maria do Céu Guerra, terão sido organizadas pelo bando neo-nazi “Blood & Honour”. Destas resultaram três vítimas, uma das quais, o ator Adérito Lopes, teve de ser assistido no hospital onde levou pontos na cara.

Ao chegarem ao trabalho, “cerca de 30 pessoas”, contou Maria do Céu, marcaram presença, começando por insultar os atores. Panfletos onde estava escrito “remigração, Portugal aos portuguezes, e defende e teu sangue”, lema habitualmente usado pelo grupo de extrema-direita Reconquista, iam sendo também lançados. O Expresso refere no entanto que, de acordo com fontes do processo, “não haverá, no entanto, militantes deste grupo ligados ao ataque desta terça-feira”. Pelo contrário, nas imagens do ataque são identificados “pelo menos dois elementos deste grupo violento”, o “Blood & Honour”.

Este grupo, batizando a partir de uma palavra de ordem da juventude nazi, nasceu no Reino Unido em 1987 e expandiu-se depois disso. Os seus membros têm sido condenados por ataques em vários pontos da Europa e dos Estados Unidos da América e ele está proibido explicitamente em países como Espanha, Alemanha e Canadá.

O nome deste bando surgia explicitamente no último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) no capítulo ‘Extremismos e Ameaças Híbridas’ que acabou por desaparecer na versão final e cujo “apagão” nunca foi esclarecido cabalmente. O Expresso acrescenta que “nas reuniões de trabalho houve divisões entre as forças e serviços de segurança sobre se deveria ser publicada a informação contida neste capítulo. E optou-se por retirá-la na totalidade.”

Numa publicação nas redes sociais, a coordenadora do Bloco de Esquerda relembrou que “o Governo do PSD retirou do relatório de segurança interna a ameaça da extrema direita”, que “é o maior risco à nossa democracia”.

Depois de ter sido tornada pública a retirada das informações sobre esta ameaça, o Bloco de Esquerda tinha questionado o Governo sobre o tema. O então líder parlamentar do Bloco, Fabian Figueiredo, tinha considerado, que “o Governo deve uma boa explicação à Assembleia da República sobre o que o levou a retirar esta informação da versão do relatório que foi enviada aos deputados. Para além disso, instamos o executivo a enviar a versão completa do RASI aos deputados. Não há nenhuma razão atendível para esconder informação do órgão de soberania que deve fiscalizar a ação governativa e produzir legislação relevante atendendo aos factos, o que não pode fazer quando o Governo os oculta”.

Em meados de abril, o executivo respondeu às perguntas do Bloco para dizer que desconhece “em absoluto a existência de qualquer outra versão” que “não seja a versão oficial” aprovada pelo Conselho Superior de Segurança Interna e remetida à Assembleia da República. Mas pouco depois o Diário de Notícias revelou que a decisão de retirar do RASI esse capítulo foi afinal tomada no dia 21 de março numa reunião onde estavam as ministras da Justiça e da Administração Interna.

Já sobre os Blood & Honour, o Governo respondeu estar a “acompanhar de perto todos os fenómenos que ponham em causa a segurança interna”, sem fornecer mais informações.

Está marcada para domingo, dia 15 de junho, às 16h, uma concentração em frente ao Teatro A Barraca. A ação em solidariedade com a estrutura cultural tem mote "Não queremos viver num país do medo".