O Governo diz-se com os cofres cheios, mas deixa o SNS na penúria

03 de abril 2015 - 0:06

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda reuniu na passada segunda-feira com a secção regional do norte da Ordem dos Médicos e com a nova administração do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, E.P.E., com sede no Hospital de S. Sebastião, em Santa Maria da Feira.

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Moisés Ferreira e Pedro Filipe Soares: Para o Bloco de Esquerda, a deterioração do Serviço Nacional de Saúde só não tem sido maior graças ao emprenho e sacrifício dos profissionais da saúde.
Moisés Ferreira e Pedro Filipe Soares: Para o Bloco de Esquerda, a deterioração do Serviço Nacional de Saúde só não tem sido maior graças ao emprenho e sacrifício dos profissionais da saúde.

A Saúde é uma área que tem sido gravemente afetada pelas políticas de austeridade do Governo PSD / CDS, como ficou provado com os episódios recentes nas urgências do hospital S. Sebastião. Por esses factos e porque a prestação de bons cuidados de saúde às populações é fundamental, o Bloco de Esquerda quis discutir e inteirar-se da situação do Serviço Nacional de Saúde na área abrangida pelo CHDEV.

A Ordem dos Médicos não deixou de expor as suas preocupações relativamente aos cortes que têm sido aplicados na saúde, o que tem levado à perda de profissionais nos hospitais e, inclusivamente, à aquisição de material médico de pior qualidade. Como se confirmou com a administração do CHDEV, o hospital S. Sebastião continua a funcionar com um rácio de médico por doentes abaixo da média dos outros hospitais do país; ou seja, têm menos médicos para o que, como é óbvio, cria graves constrangimentos em alguns dos serviços que presta, em particular nas urgências e nos cuidados intensivos.

A falta de pessoal e de meios tem prejudicado em muito a prestação de cuidados de saúde. Segundo a Ordem dos Médicos, há casos de pacientes com complicações pós-operatórias que são reencaminhados para o hospital de Gaia porque o hospital de S. Sebastião não tem pessoal suficiente para assegurar oc cuidados intermédios e intensivos.

O Serviço Nacional e Saúde deve ser gerido em função das necessidades prementes dos utentes e nunca numa visão mercantilista, como acontece com este governo e como acontecia com o anterior.

Estas são situações gravíssimas que não se resolvem apenas e só com mudanças de administrações hospitalares, resolvem-se sim com diferentes políticas ao nível governativo.

O Serviço Nacional e Saúde deve ser gerido em função das necessidades prementes dos utentes e nunca numa visão mercantilista, como acontece com este governo e como acontecia com o anterior.

Este governo que avança de forma furiosa contra tudo o que dá qualidade de vida às populações, quer agora passar o hospital de S. João da Madeira para a gestão da Santa Casa da Misericórdia, uma entidade privada que não tem competência para fazer gestão hospitalar. Se essa transferência for feita, o hospital de São João da Madeira perderá valências e qualidade, o CHDEV perderá um hospital e o hospital S. Sebastião ficará ainda mais sobrecarregado.

Esta vontade do governo revela uma obscenidade gritante por parte do PSD CDS. A Santa Casa da Misericórdia apenas quer lucros e o Estado quer dar-lhe uma renda garantida à custa da saúde das populações.

Para o Bloco de Esquerda, a deterioração do Serviço Nacional de Saúde só não tem sido maior graças ao emprenho e sacrifício dos profissionais da saúde, mas temos a firme convicção que não é possível continuar no caminho da austeridade. A população precisa de mais e a Saúde precisa de outra política.