O caçador de imigrantes ilegais

01 de agosto 2010 - 11:14

Xerife do Arizona (EUA) fez da perseguição dos imigrantes ilegais uma cruzada pessoal. Operações de “caça ao imigrante” continuam no condado de Maricopa.

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Stop [racist Arizona sheriff] Arpaio - Foto de luckywhitegirl / Flickr

Um dia após a juíza federal Susan Bolton ter bloqueado três pontos fundamentais da lei SB-1070, o xerife Joe Arpaio, do condado de Maricopa, que engloba Phoenix e outras 23 localidades, realizou mais uma "operações de supressão de crimes", cujo objectivo é apanhar imigrantes clandestinos. Arpaio é um dos personagens chave para compreender os acontecimentos no Arizona, que têm ganho crescente importância na agenda política dos EUA.

Após o bloqueio entreposto pela juíza Bolton, o governo do Arizona já entrou com uma apelação, que será analisada em Novembro. A republicana Jan Brewer, governadora do Estado, acusou a Casa Branca de não honrar a sua responsabilidade de regular e combater a imigração ilegal. "A imigração ilegal é uma crise em andamento que o Estado do Arizona não criou e com o qual o governo federal se recusa a lidar". No dia da entrada em vigor da lei (com diversos pontos bloqueados) , 37 foram presos durante as manifestações, que juntaram mais de quatro centenas de pessoas diante da sede do governo do Arizona e bloquearam as vias das principais delegacias de Phoenix.

Neste enredo um personagem em particular ajuda a compreender o clima e a dinâmica dos acontecimentos, o xerife do condado de Maricopa, Joe Arpaio. Com 78 anos reivindica o título de “o xerife mais duro da américa” e ansiava pela SB-1070, tendo inclusive anunciado a criação de uma nova área na sua prisão mais famosa - Tent City - só para transgressores daquela lei. Há três anos Arpaio tem se promovido com a realização de raides espalhafatosos em bairros latinos com o objectivo de apanhar imigrantes ilegais ao ponto do xerife ter se transformado no inimigo número um da comunidade latina.

O impasse segue até a nova decisão e os boicotes no restante do país contra produtos do Arizona continuam em vigor, assim como o apelo para que músicos cancelem apresentações no Estado. A Associação de Hotéis do Arizona estima em US$ 12 milhões o prejuízo com o cancelamento de 40 encontros de negócios na cidade.