Para além da intervenção da coordenadora do Bloco, Mariana Mortágua, o comício do Bloco desta quinta-feira, sob o mote “Levar o país a sério”, contou ainda com as intervenções de três outros dirigentes do partido: Bruno Maia, Joana Mortágua e Pedro Filipe Soares.
“Não vamos desistir do SNS”
Bruno Maia iniciou a sua intervenção com a questão da Palestina, afirmando sobre o tema que “quem se levantou contra a invasão da Ucrânia não pode ficar sentado perante o massacre que Israel está a fazer em Gaza”.
A ideia central da sua intervenção foi que o “Governo falhou o acordo com os médicos”. Isto porque “não percebeu o essencial da luta dos médicos” que “não é só o salário, é sobre a falta de médicos e a enorme sobrecarga de trabalho que tudo isso implica”.
O acordo alcançado com o Sindicato Independente dos Médicos “ignorou todas as propostas que os médicos tinham para melhorar as suas condições laborais” e “aprovou a dedicação plena que aumenta o número de horas de trabalho obrigatórias, retira o direito ao descanso compensatório, aumenta o horário diário para as nove horas”, prosseguiu.
Este acordo “não impede a hemorragia de médicos do SNS, não evita o fecho de urgências, de maternidades, não dá médicos de família a toda a gente”. Assim, médicos, outros trabalhadores da saúde e utentes, assegura, vão dizer “não vamos desistir do SNS” porque “isto não é sobre as nossas carreiras. É sobre o melhor serviço público que Portugal construiu e que a direita quer avidamente destruir”.
Os "truques" do PSD
Joana Mortágua dedicou a sua intervenção ao Congresso do PSD, a começar pela promessa de Montenegro de aumentar as pensões para 820 euros que foi desmentida depois por Miranda Sarmento, líder parlamentar do partido, que “teve de vir esclarecer: afinal o que Montenegro queria prometer era subir o Complemento Solidário para Idosos para 820 euros até 2028”.
As 48 horas entre as duas declarações “foi o que bastou” para perceber várias coisas: que a proposta abrange 134 mil e não dois milhões de pensionistas, que é só para 2028, altura em que a atualização normal do CSI já chegaria muito perto desse valor, que o PSD não pretende mudar as regras de acesso ao CSI e não pretende atualizar o salário mínimo, “pois só assim fará equivaler o rendimento mínimo garantido de um pensionista ao salário mínimo nacional”.
O líder do PSD declarou que “a época dos truques vai acabar” mas estes, diz a deputada bloquista “são a expressão da dificuldade do PSD em distanciar-se do PS”. Uma vez que este “instalou a sua maioria absoluta no meio campo do PSD” e governa como o PSD governaria.
Joana Mortágua trouxe à colação outro dos truques do PSD, as declarações sobre a recuperação do tempo de serviço dos professores, lembrando que este partido votou contra quando a questão se colocou na Assembleia da República e que “todos os putativos parceiros de um governo à direita defendem a transferência de fundos para os colégios privados, o fim da escola pública como nós a conhecemos, e até o despedimento em massa de professores como é o caso das propostas do Chega”.
"Será a força do Bloco a ditar o futuro do país"
Por sua vez, Pedro Filipe Soares defendeu que “a direita está com medo de nós”. Isto porque “sabem que no dia 10 de março será a força do Bloco de Esquerda a ditar o futuro político do país”. Numa intervenção em que vincou as questões da crise da habitação, o líder parlamentar do Bloco lembrou que “os candidatos a secretário-geral do PS, grandes herdeiros de António Costa, os garantes do programa da maioria absoluta e da execução do orçamento de Estado mais à direita de sempre do país” não têm nos seus programas “nem uma única vez” essa palavra.
E, parafraseando a Garota Não, terminou afirmando “saibamos agradecer ao PS a especulação na habitação, à direita a gentrificação nas nossas cidades, à maioria absoluta a destruição dos serviços públicos”.