Nuno Lopes: há muitos artistas que estão neste momento em situação de fome

16 de maio 2020 - 20:00

O ator denuncia também a precariedade, apontando: “não temos sequer a condição de intermitentes, como há noutros países”. Entre março e o final de abril foram cancelados perto de 27 mil espetáculos.

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Foto de Paulete Matos.

O ator Nuno Lopes, um dos atores da série “White Lines” estreada na passada sexta-feira na Netflix, em entrevista à Renascença mostra apreensão para com a situação que muitos colegas de profissão atravessam, considerando que no setor existem bastantes trabalhadores em situação de precariedade, agora agravada pelo efeito da covid-19. “A classe cultural em Portugal já é precária desde sempre, pior fica quando há uma crise e quando não temos sequer a condição de intermitentes, como há noutros países”.

E afirma: “há muitas pessoas da minha classe que estão neste momento em situação de fome, mesmo!”. Nuno Lopes alerta que estes trabalhadores apenas recebem quando têm trabalhos, não estando abrangidos por apoios sociais, como o subsídio de desemprego o que gera uma imensa precariedade.

O ator revela que também o seu trabalho acabou por ser afetado, visto que tinha projetos no estrangeiro que estão pendentes e que mesmo em Portugal teve que haver uma suspensão de trabalho. “Tive de parar um filme que estava a fazer com o Marco Martins. Voltamos para Portugal e como as condições monetárias que a cultura tem nunca são grandes, estamos neste momento a perceber como é que podemos continuar”. Confessa-se mesmo assim um privilegiado quando comparado com outros colegas.

O setor artístico tem sido um dos mais afetados pela pandemia, sendo que entre o mês de março e o final de abril foram cancelados perto de 27 mil espetáculos, segundo a Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE).

O Movimento pelos Profissionais do Palco reuniu também esta quarta-feira com o Presidente da República, onde alertaram para os problemas que enfrentam estes profissionais no momento atual, bem como a situação no futuro que é marcada pela incerteza.

Foram cancelados até ao final de março 4287 espetáculos, dos quais 2964 (69%) eram de música, 1048 de teatro e 100 de dança segundo um inquérito da Fundação GDA (Gestão dos Direitos dos Artistas), que revela ainda que relativamente à música, setor mais afetado, “por cada espetáculo cancelado ficaram sem rendimento, em média, 18 artistas, 1,3 profissionais de produção e 2,5 técnicos”.