A troika do Banco Central Europeu, do FMI e da União Europeia não estava presente no Palácio da Ajuda, na posse do novo governo dirigido pelo presidente do PSD, Passos Coelho, mas a sua intervenção em Portugal teve presença central nos discursos do novo primeiro-ministro e do presidente da República.
Cavaco Silva advertiu que o novo governo vai enfrentar uma crise económica e financeira em que vão ser pedidos aos portugueses “os maiores sacrifícios desde que foi instaurada a democracia”. E pediu ao executivo que “enfrente de imediato e com determinação os grandes desafios que lhe são colocados no plano económico e social”, considerando que a sua principal missão será cumprir o memorando de entendimento com a troika, por ser esse o “caminho que melhor serve o interesse nacional nos próximos anos”, afirmou o presidente.
“Não podemos falhar”, disse Cavaco Silva, “sob pena de a situação [do país] se tornar economicamente irreversível e socialmente insustentável”.
Já Passos Coelho usou as mesmas palavras, em tom de resposta: “Eu sei que Portugal não falhará”. E referiu-se igualmente à troika: “À grave situação financeira respondemos com um Programa de Estabilização Financeira, que aponta para o equilíbrio sustentado das contas públicas e para o estancamento da dívida externa e pública, traçando objectivos concretos em conformidade com o memorando de entendimento estabelecido com a Missão (EU/BCE/FMI). O objectivo de regressar a uma trajectória sustentável das contas públicas é um imperativo urgente para fazer face aos problemas de curto prazo.”
Ainda antes de tomar posse, aliás, o novo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, reuniu-se com os três chefes da missão da troika. O encontro teve também a participação de Carlos Moedas, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro. Do lado da troika, estiveram presentes Jürgen Kröger, pela Comissão Europeia, Poul Thomsen, pelo Fundo Monetário Internacional, e Rasmus Rüfer, pelo Banco Central Europeu.
Para o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, este governo de maioria de direita tem um programa implacável, o da troika, “tão grave que os partidos que o negociaram e subscreveram não quiseram discutir com os eleitores”.