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Novo Banco: salários de gestores disparam enquanto acumulam prejuízos

Enquanto o Novo Banco regista prejuízos milionários e milhares de milhões de euros de injeções estatais, o salário dos seus gestores aumentou 53% desde a entrada em cena do fundo de private equity Lone Star.
Prejuízos do Novo Banco aumentam, mas salários de gestores sobem 53%
Fotografia de Paulete Matos.

A passagem do Novo Banco para a esfera do fundo Lone Star coincidiu com o aumento em quase um milhão de euros dos salários dos membros da comissão executiva do banco. Ao mesmo tempo, coincidiu igualmente com prejuízos de 3 866 mil milhões de euros que justificaram a injeção de mais de dois mil milhões de dinheiros públicos na instituição. 

A notícia é do jornal Público, que não só faz as contas ao aumento salarial destes gestores como ainda apresenta as do seu Conselho Geral e de Supervisão. Este conselho, criado após a venda, faz com que os aumentos salariais subam para quase dois mil milhões. 

Se em 2017 o salário anual dos seis gestores executivos do Novo Banco era de 1.336.000 euros (329.600 destes eram de António Ramalho), em 2019 a equipa de gestão ganhou outros três nomes e a remuneração anual subiu para 2.345.296 euros. Fora das contas ficou o prémio de assinatura no valor de 320 mil euros para Mark Bourke, um dos gestores.

 

Quando ainda estava sob intervenção direta do Fundo de Resolução, o salário anual de António Ramalho era de 121.285 euros. Quando o fundo de private equity entrou em cena, Ramalho manteve-se em funções e passou a auferir 278.715 euros. Em 2019, o valor era de 400 mil euros. Recorde-se que agora, apesar de manter 25% do capital do Novo Banco, o Fundo de Resolução não tem intervenção direta nas contratações. 

No total, os encargos do Novo Banco com o seu Conselho de Administração e com o Conselho Geral e de Supervisão atingem os 3.180.332 euros. Em 2019, António Ramalho obteve um prémio de dois milhões de euros (que segundo o jornal ainda está dependente do cumprimento de alguns critérios).  

Estes enormes aumentos salariais com a entrada em cena do Lone Star coincidem com o igualmente elevado aumento dos prejuízos, que totalizam os 3.866 milhões de euros: “em 2017, 1.395 milhões (valor que em 2016 foi de apenas 788 milhões); em 2018, 1.412 milhões; em 2019, 1.058 milhões”, lembra o Público. Recorde-se que isto ocorreu num ciclo de maior crescimento económico.

E ao mesmo tempo, o fundo de private equity dos Estados Unidos da América accionou o mecanismo de capital contingente, uma proteção no valor total de 3.800 milhões de euros do Estado português. Estava previsto que esta injeção de capital público ocorresse se a gestão do banco descobrisse novas imparidades nas suas contas ou se tivesse de “reconhecer perdas resultantes de vendas de activos a desconto”. Tudo isto começou a acontecer passados apenas quatro meses da entrada em cena do Lone Star, e apesar de os relatórios de contas de 2014, 2015 e 2016, prévios à entrada do fundo estrangeiro, terem considerado que as carteiras de crédito herdadas do BES estavam correctamente provisionadas. Estes relatórios foram assinados por António Ramalho auditados pela PwC e aprovados pela equipa do Banco de Portugal.


Notícia atualizada com o valor percentual correto do aumento (53% em vez de 75%), já que em 2017, três dos gestores entraram em funções em abril e maio, pelo que não receberam o salário anual completo.

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