Dois mil casos de covid-19 por dia, num total de 60.000 num país com uma população de número semelhante a Portugal, um desconfinamento caótico em maio que redundou num retomar de medidas de encerramento esta semana, o desemprego a subir de 3.9% até cerca de 20%. Razões que se acrescem ao julgamento de que Benjamin Netanyahu está a ser alvo por fraude, abuso de confiança e corrupção e que estão a levar todos os dias milhares de manifestantes para as ruas do país.
No sábado, a manifestação principal foi à porta da residência oficial do Primeiro-Ministro em Jerusalém. Um parque em Tel Aviv e a sua casa de praia em Caesarea também foram locais de protestos significativos. Há semanas que manifestações semelhantes ocorrem em vários pontos do país. Bandeiras negras, cartazes a dizer “Bibi, vai para casa” ou “toda a gente pode ver que o imperador vai nu” fizeram-se ver para mostrar insatisfação e exigir a sua demissão.
Se o julgamento do primeiro-ministro por corrupção ou a sua política ainda mais agressiva na Palestina vinham alimentando contestação há meses, agora os manifestantes juntam-lhe preocupações que lhes tocam nos bolsos como o facto dos apoios atribuídos durante o confinamento não terem sido suficientes. Assim, estas são consideradas as maiores manifestações desde 2011, quando o aumento do custo de vida tinha levado centenas de milhares de pessoas a protestar.
A polícia lança ordens para dispersar os protestos antes de lançar camiões na sua direção e utilizar canhões de água contra os manifestantes e este domingo anunciou a prisão de mais de uma dezena de pessoas. Netanyahu ameaça-os: “não arrastem o país na anarquia, violência, vandalismo”. Tem, desde a passada quarta-feira, poderes reforçados para declarar estado de emergência dados pelo parlamento israelita.