Sou simpatizante e votante no Bloco, já há alguns anos, recentemente aderi e inscrevi-me no Bloco, por me parecer uma alternativa ao actual estado de coisas.
Penso que mais do que analisar o resultado das eleições, reflexo de uma conjuntura política, é necessário reflectir os caminhos da e para a mudança de políticas na construção de uma sociedade feita pelos cidadãos e para os cidadãos.
A questão de ter ou não estado na reunião com a troika, parece-me uma questão falsa e redutora de análises que se possam fazer! O movimento de eleitores nestas eleições fez-se para o centro e direita, o que me parece ser interessante analisar, o denominador comum e a motivação para este facto encontram-se em duas ordens de razões, por um lado o voto contra Sócrates no PSD e CDS, por outro a tentativa de derrotar a direita, votando PS. Estes dois pressupostos conjugados resultaram nestes valores eleitorais, não me parecendo que tanto o Bloco como a CDU se apresentassem e fossem vistos pelo eleitorado como alternativas de facto.
Parece-me que a perspectiva do Bloco e de todos aqueles que de uma forma ou de outra se posicionam contra estas políticas, deve ter no centro as pessoas e assim independentemente de quem dirige o Bloco, ou de quem à esquerda tem o maior protagonismo, a intervenção do Bloco e de tod@s aqueles que querem uma sociedade de pessoas e para as pessoas, deve ter como fulcro o trabalho de base, elegendo como prioridade a intervenção não sectária e compartilhada nas associações de base, nas comunidades e suas estruturas,nas escolas e universidades, nos sindicatos e comissões, levando as pessoas a apropriarem-se dos seus destinos e da sua vida, dando um novo sentido não só à participação política, mas também à democracia cultural e social.
Aliando o trabalho no parlamento com os movimentos sociais, culturais e políticos, alargando a base social que preconiza e sente a transformação de acordo com as necessidades e anseios de cada um. Esta transformação, à revelia do parlamento e dos partidos mais ou menos instituídos, está a manifestar-se por todo o lado e não só no espaço europeu. Penso de facto que devemos integrar este movimento e outros que surjam das necessidades das pessoas, movimento que na verdade contém em si a semente da mudança.
Luís Rodrigues
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
Fernando Pessoa