O Instituto Internacional de Investigação sobre a Paz de Estocolmo, Sipri, publicou esta segunda-feira o seu relatório anual sobre a venda de armas relativo a 2023. Os países que gastam mais em armas continuam a ser os Estados Unidos, a China e a Rússia. E todos eles aumentaram os gastos militares.
Num ano, o aumento global foi de 6,8%, o maior desde 2009 e o nono aumento consecutivo. No total, foram 2.443 mil milhões de dólares.
Apesar de se registarem aumentos em todas as regiões, as maiores subidas foram na Europa, Ásia e Oceânia e Médio Oriente.
De acordo com Nan Tian, investigador sénior desta instituição, “o aumento sem precedentes nos gastos militares é uma resposta direta no deterioramento global da paz e segurança”. Com os “Estados a priorizar a força militar” o que “arrisca uma espiral ação-reação numa paisagem geopolítica e de segurança cada vez mais volátil”.
O Sipri destaca os gastos militares da Rússia que aumentaram 24%, para 109 mil milhões de dólares, marcando um aumento de 57% desde 2014, o ano em que invadiu a Crimeia. O ano passado os gastos militares russos foram 16% do total dos gastos do Estado e 5,9% do PIB.
Apesar da Ucrânia ser o oitavo país no ranking dos gastadores e de ter gastos no setor de 51%, 58% dos gastos do Estado, o que o país investe no setor militar é um pouco mais de metade do que os invasores, ou seja 64,8 mil milhões. Contudo, há que somar a ajuda militar de 35 mil milhões, 25,4 dos quais dos EUA, o que faz a Ucrânia quase igualizar a Rússia nestes gastos.
Todos juntos, os países que compõem a Nato gastaram 1.341 mil milhões de dólares, ou seja 55% do total. Dentro deste grupo quem mais gasta incomparavelmente são os EUA com 916 mil milhões o ano passado, um investimento de 2,3%. Os Estados europeus também aumentaram gastos. E há cada vez mais membros a cumprirem os objetivos da instituição de um investimento militar de 2% do PIB, onze em 31, e de direcionar 20% destes gastos para "equipamentos", 28 membros fizeram-no.
Na Ásia encontra-se o segundo maior investidor em armas, a China, com 296 mil milhões de dólares o ano passado, o que representou um aumento de 6% num ano. Isto faz uma série de 29 anos seguidos em que o país aumenta os gastos militares.
Por si só, a China é responsável por metade dos gastos militares da Ásia e Oceânia. Aliás, vários dos seus vizinhos justificam os seus aumentos com o investimento militar chinês. Destaca-se o Japão com um aumento de 50,2 mil milhões, um crescimento anual de 11%. A mesma percentagem de Taiwan, atingindo um valor de 16,5 mil milhões.
No Médio Oriente o aumento percentual foi o maior num década, 9%, com a Arábia Saudita a liderar seguida de Israel. Os seus gastos militares aumentaram 24% em 2023, num total de 27,5 mil milhões.
O relatório realça ainda que a Índia foi o quarto país que mais gastou no setor militar, que a percentagem maior de aumento foi da República Democrática do Congo, com mais 105%, seguido pelo Sudão do Sul, com 78%.
Na Europa, o recorde de aumentos foi da Polónia com 75% para 31,6 mil milhões.
Portugal exporta mais armas
À boleia destes aumentos de gastos, Portugal, de acordo com o Expresso, aumentou as suas exportações. Em 2023, o país exportou cerca de 92 milhões de euros em armas e munições, dados do Instituto Nacional de Estatística.
O principal comprador de armas portuguesas são os EUA com bem mais de metade, 67%, isto é 62 milhões. O segundo cliente é a Bélgica, com 22 milhões, o que representa um aumento de 44% relativamente a 2021, antes da invasão da Ucrânia. Espanha ocupa o terceiro lugar com 2 milhões.
Israel aumentou dez vezes o valor da compra de armas a Portugal. Em 2023, foram vendidas pelo nosso país armas e munições no valor de 1,4 milhões.
O semanário destaca ainda que Portugal passou a vender em 2023 drones, num valor de 31 milhões. A responsável é a Tekever sediada nas Caldas da Rainha.
Para além disso, também aumentaram vendas de itens como peças para veículos aéreos, produtos químicos como detonadores, inflamadores, rastilhos e cápsulas fulminantes.