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NBA volta a protestar contra racismo

Depois do ataque ao Capitólio e da procuradora de Kenosha ter decidido não processar o polícia que disparou sete vezes em Jacob Blake pelas costas, alguns jogadores da principal liga de basquetebol norte-americana ajoelharam-se em protesto. Outros arranjaram outras formas de se manifestar.
No jogo entre os Golden State Warriors e os Los Angeles Clippers os jogadores ajoelharam-se durante o hino como noutras partidas da NBA. Janeiro de 2021. Foto de JOHN G. MABANGLO/EPA/Lusa.
No jogo entre os Golden State Warriors e os Los Angeles Clippers os jogadores ajoelharam-se durante o hino como noutras partidas da NBA. Janeiro de 2021. Foto de JOHN G. MABANGLO/EPA/Lusa.

Em agosto passado, os jogadores da NBA foram notícia pela sua tomada de posição forte contra o racismo e a violência policial nos EUA. Os play-offs da competição chegaram a parar na sequência de uma greve, depois de a polícia ter baleado mais um afro-americano desarmado, Jacob Blake. Agora, após terem visto as imagens da invasão do Capitólio e de se saber que a procuradora de Kenosha não iria acusar o polícia que alvejou Blake, foram várias as equipas - e jogadores a nível individual - que voltaram a tomar posição na noite de quarta-feira.

O jogo entre os Celtics de Boston e os Miami Heat foi um dos principais palcos de protesto. Jogadores de ambas as equipas colocaram um joelho no chão quando o hino nacional tocou, o gesto que se popularizou como forma de denúncia contra o racismo. Celtics e Heat tinham já, ainda antes do início do jogo, lançado uma declaração conjunta dizendo que jogariam “com um coração pesado” devido aos dois acontecimentos e considerando que “a drástica diferença entre a forma como foram tratados os manifestantes da passada primavera e verão e o encorajamento dado aos manifestantes de hoje que agiram ilegalmente apenas mostra o quanto trabalho ainda temos de fazer”. Prometeram ainda “não esquecer as injustiças na nossa sociedade” e continuar a utilizar as suas vozes para lutar “por uma América mais igual e justa”.

A associação entre os casos de violência policial contra afro-americanos, a repressão policial contra o movimento Black Lives Matter e o sucedido em Washington no dia em que se votava a confirmação de Biden como presidente foi comum a vários protagonistas desportivos. Doc Rivers, treinador dos Philadelphia 76ers, foi um deles perguntando:  "Se fossem negros a atacar o Capitólio? Por isso, essa é uma imagem que vale mil palavras, para todos nós".

Também não foi esquecido que vários dos apoiantes de Trump que invadiram o Capitólio utilizavam símbolos da Confederação, o conjunto de estados do sul do país que, durante a guerra civil de meados do século XIX, defendia a manutenção da escravatura.

E não foi apenas no jogo entre Celtics e Heat que houve tomada de posição dentro de campo. Em São Francisco, Golden State Warriors e Los Angeles Clippers doaram camisolas do movimento Black Lives Matter e também se ajoelharam durante o hino. No jogo entre os Milwaukee Bucks e os Detroit Pistons, no início da partida, os jogadores não disputaram a bola que se manteve parada durante sete segundos à vez, o número de tiros que Blake sofreu. Em Phoenix, casa do Suns, onde esta equipa recebia os Toronto Raptors, durante os hinos canadiano e dos EUA, os jogadores ficaram em círculo de braços dados.

Outros treinadores como Lloyd Pierce dos Atlanta Hawks também escolheram não ficar calados. Disse que isto “nunca mudará a não ser que haja reconhecimento do passado relativamente a como os afro-americanos sempre foram tratados na história”, nomeadamente no que diz respeitos à “aplicação da lei”. E insistiu no mesmo que tantos outros: “todos compreendemos que haveria armas fumegantes e fogos incendiários se fossem pessoas negras a protestar”. Van Gundy, dos New Orleans Pelicans, perguntou no Twitter se a resposta seria a mesma se manifestantes do movimento Black Lives Matter tivessem forçado a entrada no mesmo edifício. É uma entre  dezenas de publicações de vários jogadores no mesmo sentido.

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