No seguimento de uma declaração da NATO, a França também se recusa a admitir que tenha abandonado à sua sorte um barco com centenas de pessoas em fuga da Líbia no final de Março, 61 das quais viriam a morrer de fome e sede. No entanto, organizações de refugiados afirmam que o porta-aviões Charles de Gaulle passou a cerca de 300 ou 400 metros da embarcação em risco, pelo que seria impossível não ter dado por ela.
Além disso, o caso do barco à deriva não era desconhecido das forças militares que operam no Mediterrâneo no âmbito da agressão contra a Líbia. A agência de refugiados Habeshia afirmou no Vaticano que no dia 26 de Março um helicóptero se aproximou do barco, forneceu biscoitos e água e desapareceu depois sem que se tenha seguido qualquer outra acção de auxílio. Três dias depois, de acordo com a mesma fonte, um porta-aviões passou a 300 ou 400 metros da embarcação perdida e “seria impossível que não a tivessem visto”.
O padre eritreu Moses Zerai declarou, por seu lado, que já tinha informado a Guarda Costeira italiana sobre o risco que os ocupantes da embarcação corriam e que logo a seguir fez o mesmo com a NATO.
Carmen Romero, porta-voz da NATO, declarou que nada do que se passou significa falta de auxílio uma vez que “os navios sob comando da Aliança respondem sempre aos pedidos de apoio”. Dizer o contrário disto, segundo a mesma responsável “é injusto e desrespeitoso”. Desconhece-se se houve algum pedido oficial de auxílio nas condições em que se registaram os acontecimentos, mas havia conhecimento da situação dramática do barco. No caso de o porta-aviões francês Charles de Gaulle não estar sob o comando da NATO, a declaração de Carmen Romero pode pretender remeter as responsabilidades para Paris.
A França, por seu lado, também rejeita responsabilidades. A declaração oficial de Paris informa que navios franceses recolheram 800 refugiados em todos os mares do globo durante o ano de 2010.
A tragédia ocorreu no fim de Março e as suas circunstâncias foram dadas a conhecer agora através de uma investigação do jornal inglês Guardian.
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu