O presidente norte-americano, Barack Obama, e os seus aliados declararam este domingo, na cimeira da Aliança Atlântica, a decorrer em Chicago, que os Estados Unidos colocarão um vaso de guerra no Mediterrâneo e instalarão um sistema de radar de alerta inicial sob comando da NATO, na base aérea de Ramstein, na Alemanha.
A Aliança insiste que o escudo anti-míssil não está apontado à Rússia e que se destina apenas a intercetar mísseis que podem ser lançados por países inimigos como o Irão, mas Moscovo teme que o sistema possa ser usado para neutralizar a sua capacidade nuclear.
"A defesa anti-míssil é indispensável porque enfrentamos ameaças reais", disse o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, na sexta-feira, citado pelo jornal I. Acrescentou ainda que 30 países têm ou estão a desenvolver a capacidade de disparar mísseis balísticos.
Já este mês, o general russo Nicolai Makarov afirmou que a Rússia poderá instalar mísseis de curto alcance Iskander no enclave de Kaliningrado, junto à Polónia, uma ameaça antiga que aflige os estados da Europa de Leste.
Apesar da NATO desejar a presença do presidente russo, Vladimir Putin, em Chicago, este limitou-se a mandar uma delegação."A Rússia é sensível em relação à sua capacidade nuclear porque isso é que a torna uma superpotência", declarou Nick Witney, um especialista britânico.
A instalação do sistema anti-míssil está prevista em quatro fases e deverá estar operacional em 2018. No âmbito do sistema deverão ser colocados quatro navios norte-americanos com tecnologia de mísseis guiados anti-míssil Aegis, enquanto Polónia e Roménia deverão acolher mísseis norte-americanos SM-3, instalados em plataforma móveis.
Guerra no Afeganistão é para manter
Na cimeira da NATO, o tema do Afeganistão também foi dominante, com o comandante das forças norte-americanas ali colocadas a afirmar que as tropas dos Estados Unidos ainda entrarão em combate em 2014.
Apesar de os Estados Unidos e de os seus parceiros da NATO irem assumir um papel de "apoio" às forças de segurança afegãs a partir do próximo ano, o general John Allen, que lidera a missão militar no país, ressalvou que tal não quer dizer que soldados norte-americanos não entrem em combate.
Por seu lado, o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, disse neste domingo que não haverá pressas: “Não haverá uma corrida para a porta de saída. O nosso objectivo, a nossa estratégia, o nosso plano permanece inalterado”.
“Estamos agora no processo de transferirmos gradualmente a responsabilidade da segurança no país para os afegãos e esse processo ficará completo até ao final de 2014 e, durante esse tempo, veremos a retirada das tropas e uma mudança do combate para o apoio”, disse Rasmussen, citado pela BBC.
Em sentido contrário, o novo Presidente francês, François Hollande, repetiu claramente na cimeira – tal como já havia indicado durante a sua campanha eleitoral – que a França irá retirar as suas tropas ainda em 2012, dois anos antes do previsto.
Tal como Hollande, diversos líderes mundiais estão sob pressão para retirarem as tropas do país antes de 2014, especialmente numa altura de crise e austeridade como a que vivemos actualmente.