Ativistas acusam NATO pela morte de 72 civis na Líbia

14 de maio 2012 - 13:38

Os ataques aéreos da NATO mataram 72 civis na Líbia, no ano passado, mais do que se pensava, denuncia esta segunda-feira a Human Rights Watch. Esta organização acusa a Aliança Atlântica de não reconhecer o alcance dos danos que causou durante a campanha que ajudou a derrubar Muammar Khadafi.

PARTILHAR
Fred Abrahams, da HRW, principal autor do relatório, afirma que “os cuidados” da NATO durante a campanha na líbia foram "minados” pela sua recusa “em examinar as dezenas de mortes de civis". Foto de ruínas de antigos apartamentos em Tripoli, de Mahmud Turkia/AFP

Num relatório, citado pelo jornal britânico The Guardian, sobre as investigações efetuadas durante e após o conflito em locais bombardeados, a Human Rights Watch – uma organização não-governamental com sede em Nova Iorque, nos Estados Unidos – acrescenta que entre as vítimas mortais estão 24 crianças e 20 mulheres. No total são 72 vítimas civis, cujas mortes foram causadas pelos ataques aéreos protagonizados pela NATO, na Líbia.



“Os ataques são permitidos apenas contra alvos militares, e questões sérias permanecem sobre alguns incidentes relativamente ao que as forças da NATO atacaram exatamente”, afirmou Fred Abrahams, responsável da Human Rights Watch (HRW), citado pela Reuters. A organização quer que a NATO compense os sobreviventes civis e investigue os raides aéreos, considerando então que podem ter sido ilegais.



A organização internacional de defesa dos direitos humanos considera que o relatório da investigação que realizou, e que agora divulga, é o mais completo até à data relativamente à morte de civis em resultado dos ataques aéreos da Aliança Atlântica, na Líbia, apresentando um número de vítimas mortais mais elevado do que o balanço da Amnistia Internacional, conhecido em Março, que dava conta de 55 civis mortos – incluindo 16 crianças e 14 mulheres.



Contudo, a NATO considera a sua operação na Líbia um grande sucesso: efetuou 9600 ataques aéreos, entre as 26 mil incursões em território líbio, destruindo 5900 alvos nas operações que começaram no fim de Março de 2011 e terminaram em Outubro, depois do início da revolta, em Fevereiro, que levou à captura e morte de Khadafi, em Setembro.



A Aliança diz também que a campanha na Líbia foi levada a cabo com “cuidados e precisão sem precedentes” e com um “nível superior ao exigido pela lei humanitária internacional”, referiu Oana Lungescu, porta-voz da Aliança.



Mas Fred Abrahams, principal autor do relatório, afirma que “os cuidados” da NATO durante a campanha na líbia foram "minados” pela sua recusa “em examinar as dezenas de mortes de civis", cita o Guardian.



Estas preocupações sobre as mortes de civis na Líbia colocam em causa o carácter humanitário das intervenções da NATO e prejudicam a sua legitimidade na realização de futuras operações fora do território dos seus membros, na América do Norte e Europa.

Termos relacionados: Sociedade