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“Não ponhamos a lei de bases da saúde em causa por uma obstinação em ter PPP’s na saúde”

Catarina Martins considerou que a nova proposta do PS sobre a lei de bases da saúde mantém as PPP “na mesma” e apelou à continuação da negociação para aprovar uma lei que não diga que os “hospitais públicos podem ser entregues a privados". A coordenadora bloquista visitou a Orquestra Geração, “um projeto consensual” para combater o insucesso e abandono escolar.
Catarina Martins visitou Orquestra Geração na Escola Maria Keil, na Apelação, em Loures, 11 de junho de 2019 – Foto António Pedro Santos/Lusa
Catarina Martins visitou Orquestra Geração na Escola Maria Keil, na Apelação, em Loures, 11 de junho de 2019 – Foto António Pedro Santos/Lusa

A coordenadora do Bloco de Esquerda visitou nesta segunda-feira a Orquestra Geração, na Escola Maria Keil, na Apelação, em Loures. À saída prestou declarações à comunicação social sobre a visita e sobre a Lei de Bases da Saúde.

Sobre a lei de bases da saúde Catarina Martins lembrou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem poucos recursos, apesar de terem vindo a aumentar, e que é preciso reforçar os recursos no SNS.

“Na verdade tem ido cada vez mais para o setor privado. Nada contra o setor privado da saúde, mas precisamos de reforçar recursos do SNS” disse, recordando também que, “com esta preocupação, António Arnaut e João Semedo apresentaram um projeto, uma Lei de Bases da Saúde, para salvar o SNS e propuseram-na ao Bloco de Esquerda e ao PS”. Foi esse projeto que o Bloco apresentou.

“O Partido Socialista hoje, depois do apelo do Bloco de Esquerda, vem com uma nova proposta. É uma nova proposta que parece dar alguns passos mas, na verdade, mantém a ideia de que só aceita uma Lei de Bases se ela expressamente prever a hipótese de os hospitais públicos terem gestão privada e nós achamos que isso é um erro”, afirmou Catarina Martins.

“A proposta que o PS nos fez hoje é uma proposta que diz: nós revogamos a lei que prevê a entrega de hospitais públicos a privados no dia em que entrar em vigor uma nova lei que preveja a entrega a privados de hospitais públicos. Ora, parece-me que ficamos um bocadinho na mesma”, sublinhou.

A coordenadora do Bloco defendeu a continuação da negociação, “ainda temos uma semana para negociar”, e reforçou o apelo ao PS:

“Façamos agora uma Lei de Bases que não obrigue o próximo Governo a viver com uma Lei que diz que os hospitais públicos podem ser entregues a privados”, salientou, sublinhando que “o que não tem nenhum sentido é querer obrigar a esquerda a votar aquilo a que sempre se opôs, que foi a entrega a gestão privada de um serviço público”.

“O Bloco de Esquerda mantém toda a abertura para negociar a redação, e mantém este apelo, não ponhamos a Lei de Bases da Saúde em causa por uma obstinação em ter PPP’s na saúde”, apelou ainda Catarina Martins.

Combater o insucesso e abandono escolar através do ensino da música

Na visita à Orquestra Geração na Escola Maria Keil, na Apelação, em Loures, Catarina Martins salientou que “é um projeto de música muito bom em comunidades onde muitas vezes há mais dificuldades educativas e que tem tido um grande resultado”.

“Neste momento é um projeto consensual no país. Julgo que faltam duas coisas que para o Bloco de Esquerda são importantes”, afirmou a coordenadora bloquista, apontando que precisa de mais estabilidade, “estabilidade temporal para desenvolver os projetos” e para os seus “alunos e professores saberem que este é um projeto que continua durante vários anos”.

Em segundo lugar, é preciso “generalizar este projeto”, indicou Catarina Martins salientando que este projeto tem mostrado que é capaz de combater o insucesso escolar.

“Precisávamos de projetos destes em toda a escola. O acesso à música, à arte durante o tempo da escoal é absolutamente essencial , é uma aprendizagem a que todas as crianças têm direito e neste momento na verdade os conteúdos artísticos estão muito menorizados”, concluiu Catarina Martins.

O projeto Orquestra Geração foi criado em 2007 para combater o insucesso e abandono escolar através do ensino da música. O projeto promove a inserção e desenvolvimento de crianças e jovens do 1º ao 9º ano de escolaridade e é inspirado no Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela (El Sístema).

A primeira Orquestra Geração teve início em 2007 no Casal da Boba na Amadora, a partir daí as Orquestras Juvenis Geração têm vindo a multiplicar-se existindo já em Lisboa, Vila Franca de Xira, Loures, Oeiras, Sesimbra, Sintra, Amarante, Mirandela, Murça e Coimbra.

Termos relacionados Nova lei de Bases da Saúde, Política
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