A marcha "Regularização Já - Imigrantes merecem respeito!" juntou centenas de pessoas entre o Largo Camões e São Bento no fim da tarde de sexta-feira. É mais uma iniciativa para denunciar a situação insustentável na vida de milhares de imigrantes que procuram regularizar a sua situação no país e veem-se impedidos de o fazer devido aos atrasos e ineficiência do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
A agravar ainda mais esta situação, refere o manifesto da marcha, com a "morte arrastada" do SEF que dura há dois anos "o SEF diminui de tamanho mês a mês, enquanto o número de pessoas que dependem dele para ter acesso a direitos só cresce". Por isso, acusam o Estado de criar "labirintos burocráticos que depois não é capaz de cumprir".
A coordenadora bloquista Catarina Martins esteve presente na concentração que deu início à marcha, acompanhada pela vereadora do Bloco em Lisboa. Beatriz Gomes Dias afirmou que a marcha traz "uma reivindicação mais do que justa", pois "o número de funcionários do SEF está subdimensionado para a realidade que existe e as pessoas ficam anos à espera que a sua situação se regularize. Deixar as pessoas em situação irregular é deixá-las vulneráveis, é potenciar a exploração, a precariedade".
Questionada se o fim anunciado do SEF poderá mudar a situação que hoje se vive, Beatriz Gomes Dias afirmou que essa medida é "fundamental para deixarmos de ter uma polícia para pessoas migrantes. Essa restruturação prevê a criação de uma Agência para as Migrações e para o Asilo que irá ser o local onde as pessoas tratam os seus documentos. É necessário que essa agência seja criada e que a parte de investigação e controlo de fronteiras passe para as outras forças de segurança que já existem".
Mas no imediato, prosseguiu, "é preciso reforçar os funcionários do SEF. Não podemos ter pessoas quatro anos, seis anos à espera de ter a sua situação regularizada: não podem ter reagrupamento familiar, não podem mudar de trabalho, não podem sair de Portugal. É uma situação insustentável!", exclamou.
"As pessoas estrangeiras são contribuintes para a Segurança Social e de uma forma desproporcional face aos apoios que recebem. Há um ganho do Governo com a presença das pessoas estrangeiras em Portugal. É justo retribuir, o que passa por melhorar os serviços de que estas pessoas necessitam", concluiu Beatriz Gomes Dias.