Não nos podemos resignar à pandemia social, diz Catarina

26 de abril 2021 - 17:44

Nos próximos dias 7 e 8 de maio, Portugal recebe a cimeira europeia para o pilar social. “O que está anunciado para esta cimeira é muito débil face aos 100 milhões de europeus que vivem na pobreza”, avisa Catarina Martins. O Bloco de Esquerda juntou-se a forças de esquerda europeia e organizações sociais para uma contra-cimeira com propostas que “combatam de facto a pobreza”.

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Em Portugal, um terço das pessoas que trabalham são pobres, demonstrando o baixo nível salarial do país.
Em Portugal, um terço das pessoas que trabalham são pobres, demonstrando o baixo nível salarial do país. Foto de Rodrigos Antunes, Lusa arquivo.

Portugal recebe dias 7 e 8 de maio uma cimeira europeia para o pilar Social. “O que está anunciado para esta cimeira é muito débil. É muito proclamatório e com poucos resultados”, diz Catarina Martins. “Não existe, na agenda desta reunião europeia, nada sobre crise da habitação. Não existe nada sobre combate à precariedade. Não existe sequer uma referência ao apoio social europeu que possa valer a quem sofre tanto com a pandemia”, continua por dizer.

O único objetivo da cimeira, que o Bloco de Esquerda considera “limitado”, é descer em cinco pontuais percentuais o número de pessoas que vive em situação de pobreza na Europa até 2030. Considerando que, dos 500 milhões de habitantes na União Europeia, existem quase 100 milhões que vivem abaixo da linha pobreza - uma situação agravada pela crise pandémica -, “o que a Cimeira nos diz é que será feliz com mais de 75 milhões de pessoas a viver na pobreza para lá de 2030. Este não é um objetivo apresentável”, critica Catarina Martins.

Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, a presidência portuguesa, que agora decorre, “tem responsabilidades claras numa cimeira social que queira de facto combater a pobreza”, diz. Por isso, o Bloco de Esquerda organiza, juntamente com outros partidos de esquerda europeus, e também com sindicatos e organizações dedicadas ao combate à pobreza, uma contra-cimeira no Porto que juntará em formato presencial mas também à distância, ativistas, especialistas com propostas claras para combater a pobreza na União Europeia.

Estas propostas “passarão por um compromisso europeu de apoio social que passa pelo combate à crise da habitação, e pelo combate à precariedade laboral sem esquecer uma agenda para o emprego na União Europeia”, diz.

Em Portugal, o número de pessoas em situação de pobreza é elevado relativamente à média europeia. Um terço das pessoas que trabalham são pobres, demonstrando o baixo nível salarial do país.

“Não podemos deixar de falar na pandemia social e ter propostas muito concretas que apoiem muito solidariamente quem tanto perdeu com a crise”, diz Catarina Martins. “Este tem de ser o momento da resposta solidária, e do combate à pobreza. Não pode ser o momento dos anúncios de milhões ao mesmo tempo que se abandona tanta gente”, concluiu a coordenadora bloquista no fim de um encontro com estudantes em Coimbra.