Presidenciais

“Não hesito em denunciar os interesses que se movem na sombra”

23 de dezembro 2025 - 12:34

Catarina Martins diz que os debates televisivos mostraram “como os interesses económicos estão colados a alguns candidatos ou até a bastantes candidatos” às presidenciais.

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Catarina Martins na Feira dos 23
Catarina Martins na Feira dos 23. Foto de Paulo Novais/Lusa

Numa visita à Feira dos 23 de Bencanta, em Coimbra, Catarina Martins recebeu votos de boas festas e de apoio à sua candidatura às eleições de 18 de janeiro. Em jeito de balanço da maratona de frente-a-frentes televisivos que terminou na véspera, a candidata diz que está “tudo em aberto” na campanha e que os debates serviram para mostrar “como os interesses económicos estão colados a alguns candidatos ou até a bastantes candidatos”.

“Eu falo com as pessoas, as pessoas vêm falar comigo e vêm falar comigo de quê? Do salário, da pensão, vêm falar comigo da saúde, das suas vidas sofridas, do que é preciso. E, numas eleições em que está tudo em aberto, este é seguramente o momento de Portugal poder ter uma mulher na Presidência da República que defenda o salário, a pensão, o acesso à saúde e que não está presa a nenhum interesse económico que se esconda na sombra”, afirmou Catarina aos jornalistas.

Para a candidata, os grandes interesses económicos “não precisam de ninguém que os defenda na Presidência da República” e pela sua parte não conta com esses apoios. “As pessoas conhecem-me e sabem que eu não hesito em defender quem trabalha, quem constrói este país, quem trabalhou toda uma vida. Foi sempre o que fiz. E também sabem que eu não hesito em denunciar os interesses que se movem na sombra”, acrescentou.

A opacidade do investimento do Governo no setor da Defesa, que vai ascender a 5.800 milhões de euros, continua no centro das preocupações da candidata, que vê o ministro Nuno Melo a querer “fazer um negócio sem contrato público”, onde “nem sequer diz os técnicos que estão a escolher o que vai comprar”.

“Eu só me lembro dos mil milhões de euros que foram gastos em submarinos há uns anos em que houve condenados por corrupção na Alemanha e não houve em Portugal. E, quando há tanta gente que neste Natal conta aos tostões para pôr uma ceia em cima da mesa, eu pergunto-me se nós não precisamos de uma Presidente da República que peça contas sobre os negócios que não são explicados”, afirmou.

Questionada pelos jornalistas sobre a decisão do tribunal cível de Lisboa de mandar André Ventura retirar os cartazes ofensivos para a comunidade cigana, Catarina respondeu que não sabe “se os tribunais vão ter que fazer uns cartazes a dizer ‘André Ventura tem de cumprir a lei’, mas convenhamos, neste país ninguém está acima da lei, toda a gente tem de a cumprir”.