Presidenciais

Catarina alerta para a “total opacidade” do negócio de compra de armamento

21 de dezembro 2025 - 15:35

Na apresentação do designer José Teófilo Duarte como mandatário da candidatura em Setúbal, Catarina Martins lamentou que a Cultura não tenha o destaque que merece numa campanha presidencial e criticou a forma como o Governo está a tratar do maior investimento de sempre em defesa.

PARTILHAR
Catarina Martins e José Teófilo Duarte
Catarina Martins e José Teófilo Duarte, mandatário da candidatura no distrito de Setúbel. Foto de Nuno Pinheiro.

Catarina Martins esteve este domingo em Almada para uma visita à Casa da Cerca - Centro de arte Contemporânea -, e a apresentação do mandatário da candidatura por Setúbal. O designer e curador José Teófilo Duarte “é alguém que sempre usou a Cultura para ter uma intervenção cívica que junta tanta gente e formas diferentes de ver o mundo”, sublinhou Catarina Martins, lamentando que se fale pouco de Cultura nesta campanha presidencial.

“A Cultura portuguesa é o que nos reinventa ao longo das eras, é o que nos faz pensar sobre o que nós somos”, prosseguiu a candidata na visita a um espaço “que tem recuperação arquitetónica junto com arte contemporânea, que se abre a um mundo que muda e a um país que também vai mudando”. Daí a importância dos diálogos que tem mantido com pessoas da Cultura “que são muitas vezes aquelas que sabem antecipar o que aí vem, sabem criar diálogos novos, fazer pontes”

Questionada pelos jornalistas sobre vários temas da atualidade política, Catarina preferiu destacar as notícias que dão conta que o Governo não divulga a lista de membros da comissão que preparou a proposta de aquisição de material militar no valor de quase seis mil milhões de euros.

“Portugal vai gastar quase seis mil milhões de euros em armamento e nós não sabemos quem escolhe, como escolhe e não há concurso público”, afirmou Catarina, defendendo que “não podemos aceitar que haja estas compras milionárias com total opacidade”.

“Já tivemos infelizmente escândalos demais na Defesa”, prosseguiu a candidata, recordando a compra de dois submarinos por um Governo PSD/CDS e também com um ministro do CDS na pasta da Defesa, um negócio que resultou em condenações por corrupção na justiça alemã e um arquivamento do processo em Portugal.

Sobre as declarações de Luís Montenegro na curta visita à capital ucraniana, Catarina diz não se compreender bem a promessa deixada pelo primeiro-ministro sobre o envio de tropas portuguesas num cenário de paz. “A Ucrânia não está em paz e a União Europeia nem consegue ter um plano para a paz, está nas mãos de Donald Trump e Vladimir Putin”, pelo que “enquanto não houver paz, nada do que o primeiro-ministro disse significa alguma coisa em concreto”, considerou Catarina.

Os jornalistas quiseram também um comentário ao debate da véspera entre António Filipe e António José Seguro, com este a repetir o apelo ao voto útil do eleitorado de esquerda na sua candidatura. Para Catarina, “os debates têm sido elucidativos: parece-me que António José Seguro e Marques Mendes têm muito mais em comum do que outras candidaturas e não me passa pela cabeça pedir que um desista a favor do outro”.

Ainda sobre o tema dos rendimentos dos candidatos e dos doadores das campanhas presidenciais, com vários candidatos a atropelarem-se em promessas de divulgação dos seus dados, Catarina recordou que “ninguém se pode candidatar à Presidência da República sem a transparência dos seus rendimentos porque é isso que a lei obriga e ainda bem. Eu lutei por essa lei”, concluiu.