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Musk alega preocupações ambientais para deixar de aceitar Bitcoin

Considerado um dos grandes responsáveis pela oscilação de preços das criptomoedas, o bilionário dono da Tesla provocou agora a queda no preço da Bitcoin ao afirmar que ela já não serve para comprar os seus automóveis.
Elon Musk
Elon Musk no programa Saturday Night Live

O fabricante de automóveis Telsa anunciou que suspendeu a opção de compra dos seus veículos através do meio de pagamento por Bitcoin. “Estamos preocupados com o uso crescente de combustíveis fósseis para a mineração e transações de Bitcoin, sobretudo do carvão, que tem as piores emissões entre os combustíveis”, afirmou a empresa em comunicado.

“As criptomoedas são uma boa ideia a muitos níveis e nós acreditamos no seu futuro promissor, mas isso não pode acontecer a um custo elevado para o ambiente”, prossegue o comunicado em que a empresa afirma que “não irá vender nenhuma Bitcoin e contamos usá-la em transações assim que a mineração fizer a transição para energias mais sustentáveis. Estamos igualmente atentos a outras criptomoedas que usam menos de 1% da energia por transação da Bitcoin”.

Para resolver os problemas matemáticos necessários à mineração de Bitcoins, são usados computadores potentes e grandes consumidores de energia. Como se calcula que três quartos da mineração da criptomoeda são feitos na China, a energia consumida provêm sobretudo do carvão e outros combustíveis fósseis. O disparar do consumo de energia elétrica por causa da mineração da Bitcoin atingiu o seu máximo no ano passado. Segundo o índice de consumo elétrico de Bitcoin desenvolvido pelo Centro de Finança Alternativa da Univerdidade de Cambridge, esse consumo para mineração já ultrapassa a eletricidade consumida anualmente pela Suécia ou pela Malásia, estando agora a aproximar-se dos valores de consumo elétrico do Egito.

Preocupação ambiental ou golpe especulativo?

Mas os danos ambientais causados pela mineração de Bitcoin não são nenhuma novidade, o que tem levantado questões acerca da sinceridade das preocupações ambientais de Elon Musk. O bilionário tornou-se nos últimos anos um arauto das criptomoedas, atraindo uma legião de fãs em busca do que julgam ser o futuro do dinheiro. Cada mensagem publicada na conta do Twitter de Musk sobre criptomoedas tem um efeito imediato na respetiva cotação e ao contrário das declarações bombásticas sobre a sua empresa - que são seguidas de perto pela autoridade que regula o mercado bolsista - no caso das criptomoedas Musk tem total liberdade para influenciar ou manipular o seu preço. E tal como há poucos meses o preço da Bitcoin disparou quando disse que a aceitaria para comprar automóveis, ou que a Testa tinha comprado o equivalente a 1.500 milhões de dólares em Bitcoin, agora caiu mais de 10% logo após o tweet a recuar nessa decisão.

Outro exemplo é o caso da Dogecoin, uma moeda que começou como uma piada nas redes sociais e que Musk vem alimentando com tweets encorajadores, provocando aumentos brutais no preço, ao ponto de se ter tornado na quarta criptomoeda mais cotada. Mas bastou Musk participar este fim de semana num sketch humorístico no programa Saturday Night Live, no papel de um analista a afirmar que a moeda não passava de um esquema de aldrabice, para que o preço da Dogecoin afundasse 30% em poucos minutos.

Após ter feito essa piada, Musk anunciou que no próximo ano uma das missões espaciais do seu projeto Space X será o lançamento do satélite Doge-1, prometendo que será a primeira missão paga com essa criptomoeda, a primeira a chegar ao espaço.

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