Multidão volta a encher a praça Tahrir, contra a sentença de Mubarak

04 de junho 2012 - 20:10

Logo que foi conhecida a condenação a prisão perpétua de Hosni Mubarak, os egípcios juntaram-se em protestos no Cairo, durante este fim-de-semana, por causa das absolvições dos alegados culpados das centenas de mortes que ocorreram durante o período revolucionário. Várias organizações apelam para “grandes manifestações” na terça-feira.

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Na capital, milhares dirigiram-se para a Praça Tahrir, que ao início da manhã de domingo continuava a ser palco de protestos. Foto Amel pain/EPA/LUSA.

Logo que foi conhecida a condenação a prisão perpétua de Hosni Mubarak, os egípcios juntaram-se em protestos massivos no Cairo. Estão contra a absolvição de seis polícias e de dois filhos de Mubarak. As manifestações chegaram também a outras cidades na noite de sábado, como Alexandria, Suez e Mansoura. Outras estão a ser organizadas para esta terça-feira.



A leitura do veredicto, no sábado, deixou motivos de grande descontentamento. Apesar de Mubarak e o seu ministro do Interior, Habib al-Adly, terem sido condenados a prisão perpétua, os crimes de corrupção prescreveram e Gamal e Alaa Mubarak, filhos do ditador, saem em liberdade (mas enfrentam já novas acusações em processos entretanto abertos pela Justiça).



Para além disso, os seis responsáveis da polícia que também estavam a ser julgados por assassínios, depois da morte de cerca de 850 pessoas durante a revolta de Janeiro e Fevereiro de 2011, foram ilibados. A acusação não conseguiu provar que deram as ordens para os disparos. Estes vereditos, que não designam qualquer culpado direto na morte destas centenas de manifestantes, provocaram sentimentos de descontentamento e frustração muito fortes e numerosas concentrações através do país.



Segundo a AFP, o Procurador-Geral do Egipto vai recorrer do processo, mas não é claro se o recurso visa todas as decisões judiciais tomadas no sábado passado.



Na capital, milhares dirigiram-se para a Praça Tahrir, que ao início da manhã de domingo continuava a ser palco de protestos. A AFP contabilizou, na noite de sábado, 20 mil pessoas na praça Tahrir, o epicentro da revolta popular que levou à queda do antigo Presidente há 14 meses.



Parte dos manifestantes dormiu ao relento ou em tendas montadas na praça, que começou no sábado a receber milhares de pessoas, ainda que a polícia tivesse fechado os acessos quando o veredicto foi anunciado.



Para esta terça-feira esperam-se “grandes manifestações”



Milhares de egípcios, que lançaram a revolta que provocou a queda do regime de Hosni Mubarak, em 2011, apelaram para a realização de "grandes manifestações" na terça-feira, para denunciar o veredito, divulgado no sábado, do julgamento do ex-presidente e de vários seus colaboradores.



A convocatória vem de organizações pró-democracia, incluindo o Movimento de 6 de abril, a Coligação dos Jovens da Revolução e a União dos Jovens Maspero.