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Mulheres polacas em greve geral contra proibição do aborto

“Segunda-feira negra” foi o nome dado à ação que paralisou escolas e serviços públicos em mais de 60 cidades polacas. Milhares de mulheres saíram às ruas para contestar a proposta de lei da proibição total do recurso à IVG.
Foto Radek Pietruska/EPA ©

As organizadoras esperavam a adesão de seis milhões de mulheres polacas a este protesto que juntou a greve à demonstração pública da oposição – através do uso de roupa preta –  à lei que está a ser discutida no parlamento e prevê a proibição do aborto em caso de violação ou mesmo quando a vida da mulher esteja em risco.

O protesto aconteceu em mais de 60 cidades, com greves e manifestações que juntaram milhares de pessoas. A “segunda-feira negra” levou ao encerramento de escolas e serviços públicos e algumas empresas aderiram ao protesto, dando o dia livre às suas trabalhadoras. Em Varsóvia, as manifestantes dirigiram-se à sede do Partido da Lei e Justiça, que tem a maioria dos deputados no parlamento, alguns deles apoiantes declarados da proposta.

A polémica proposta de lei foi aceite no parlamento a 23 de setembro e surgiu de uma iniciativa legislativa cidadã que recolheu 450 mil assinaturas, com o apoio ativo da igreja católica. Apesar da Polónia já ter uma das leis mais restritivas para a interrupção voluntária da gravidez (IVG) – permitida apenas em caso de risco de vida da mulher, malformação irreversível do feto ou gravidezes resultantes de violação e incesto – os ultraconservadores pretendem acabar com estas exceções e condenar a cinco anos de prisão as mulheres e os médicos que pratiquem a IVG.

Atualmente, o número de abortos legais na Polónia é de cerca de mil casos por ano, enquanto as estimativas para o aborto ilegal ascendem a 150 mil.

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