A depressão Kristin deixou um rasto de destruição em especial na regiões do Centro e do Oeste e um registo de seis mortes. Além das três vítimas no concelho de Leiria, uma em Vila Franca de Xira e outra na Marinha Grande, foi encontrado o corpo de uma mulher dentro do automóvel arrastado nas águas da ribeira de Algoz, no concelho de Silves.
No dia seguinte à catástrofe, a situação continua muito grave em vários concelhos, em particular no distrito de Leiria, que continuam sem eletricidade e comunicações. A falta de luz impede o funcionamento das bombas de escoamento de águas e muitas casas que perderam parte ou todo o telhado estão a sofrer inundações com a continuação das chuvas.
O dia de quarta-feira foi passado a desobstruir vias de comunicação, com muitos milhares de árvores e postes de eletricidade caídos nas vias, um trabalho que ainda prossegue. Vários troços das linhas ferroviárias do Norte, Beira Baixa e Oeste e o Ramal de Alfarelos mantêm-se suspensos.
“Estamos, neste momento, completamente desesperados e não sabemos o que é que podemos fazer”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, que, tal como outros autarcas, tem recorrido ao telefone-satélite dos bombeiros para conseguir relatar o que se passa no concelho ao resto do país. Sem comunicações nem energia e com “água nas freguesias para mais cerca de 12 horas”, Carlos Lopes fala em “centenas de coberturas de habitações destruídas” e muitas pessoas que passaram a viver “a céu aberto”.
O pedido deste e de outros autarcas para que seja decretado o estado de calamidade foi correspondido esta quinta-feira pelo Governo na reunião co Conselho de Ministros.
O apelo ao racionamento de água foi feito também no concelho vizinho de Pedrógão Grande, enquanto se mantiver a situação de falta de eletricidade. Tal como noutros concelhos da região, as escolas irão permanecer encerradas. No concelho da Batalha, onde o mau tempo deixou seis desalojados, além da rede de comunicações também a rede SIRESP deixou de funcionar a partir do meio dia de quarta-feira em quase todo o concelho. Também em Alvaiázere houve desalojados, com o autarca João Paulo Guerreiro a descrever “um cenário catastrófico com centenas de habitações muito danificadas estruturalmente”.
Na Pampilhosa da Serra, outro concelho também sem eletricidade nem comunicações, o autarca Jorge Custódio disse à RTP que “parece que não temos aprendido nada com os maus exemplos anteriores”, referindo-se aos incêndios e ao apagão do ano passado. “É impossível que populações como as nossas ao fim de duas horas fiquem sem comunicações. Até no apagão tivemos comunicações durante mais tempo do que agora”, afirmou o autarca. Além dos avultados prejuízos em casas e infraestruturas, a preocupação neste concelho vai para a eventual demora na reposição da energia, tendo em conta as temperaturas negativas que se têm feiro sentir nos últimos dias.
Se na madrugada de quarta-feira o grande problema foras as rajadas de vento forte, esta quinta-feira é a persistência da chuva que está a causar danos mais a sul no país. Em Alcácer do Sal o rio Sado galgou as margens e inundou várias zonas da cidade. O mesmo aconteceu em Coruche com o rio Sorraia, levando ao desabamento da Ponte de Escusa, que já estava fechada ao trânsito há dois anos por falta de segurança. Mais a norte, a autarquia da Lousã alertou para a previsão de uma subida rápida dos caudais dos rios e ribeiras no concelho.