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Movimentos sociais alertam para aumento da violência política no Brasil

O Bloco recebeu esta sexta-feira Izadora Brito, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Teto. A ativista denunciou os riscos que a democracia sofre no Brasil e apelou à solidariedade internacional.
Izadora Brito. Foto Esquerda.net

Izadora Brito é advogada, pertence à coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) e é Secretária Nacional de Movimentos Sociais do PSOL, fazendo parte da Frente Povo Sem Medo. A ativista integra uma comitiva de nove movimentos sociais e organizações da sociedade civil que está a visitar alguns países da Europa e a realizar encontros para falar sobre os desafios que o povo brasileiro enfrenta neste momento. Foi no âmbito desta viagem que foi recebida pelo dirigente do Bloco de Esquerda Luís Fazenda e pelo assessor parlamentar Vasco Barata.

Izadora explicou que “o governo Bolsonaro alega taxativamente que não vai reconhecer o resultado das urnas, e tem aumentado o discurso de violência na sua base mais raivosa”.

De acordo com a dirigente do MTST, existe uma estratégia coordenada com “ataques diários” às instituições democráticas e ao Supremo Tribunal, bem como ao processo eleitoral brasileiro, com a alegação, “de forma infundada e sem provas”, de que o mesmo não é seguro e há risco de fraude, que não há forma de conferir os votos. “Isto não é verdade, é um sistema de absoluta confiança que tem vindo a ser usado no Brasil há 25 anos, e que é, inclusive, o mesmo sistema que elegeu Bolsonaro”, assinalou Izadora.

A ativista afirmou ainda que o Brasil tem hoje uma “população armada”: “Em três anos, aumentou quase 500% o acesso a armas no país. Para dar um exemplo, a sete de setembro, quando foi comemorado o aniversário da nossa independência, o filho de Jair Bolsonaro convocou pessoas armadas para se juntarem em grupos e fazerem campanha para o pai dele”, frisou.

De acordo com Izadora, “há um cenário de muita censura, muita perseguição” contra jornalistas, especialmente mulheres, “com ataques físicos, verbais e de outra ordem”. “O bolsonarismo tem uma milícia, não só uma milícia digital, que tem um alcance gigante e muito rápido para disseminar esse discurso de ódio e incitação à violência, mas também milícias nos próprios territórios”, alertou.

Izadora considera que “estamos à beira de algo muito grave no Brasil”, e explicou a razão dos seus receios: “Se Bolsonaro não reconhecer o resultado das urnas, como tem dito que fará, não haverá um golpe de Estado semelhante ao de 1964, com os tanques na rua e o exército. Não é dessa forma. E, por isso, a maioria das organizações internacionais acha que talvez não seja uma situação tão grave ao ponto de haver um fechamento de regime, porque ele não tem o exército. Mas, embora não tenha boa parte do exército, só tenha a reserva, Bolsonaro tem quase 100% das polícias militares dos Estados. E tem as milícias, que estão na elite empresarial do país, dentro do Congresso Nacional, e também a controlar os serviços das periferias, o acesso à internet, ao gás, ao transporte clandestino”.

A advogada referiu que a milícia no Brasil “espalhou-se rapidamente por vários territórios” e tem “uma lógica de violência por violência”.

Acresce que a “crise democrática e o aumento da violência policial vêm acompanhados do aprofundamento das desigualdades”. “Voltámos ao mapa da fome”, avançou Izadora, explicando que tem sido a sociedade civil a dar resposta social, assim como aconteceu com o combate à covid.

Neste contexto, a representante do MTST enfatizou a importância da solidariedade internacional e de as diferentes organizações se pronunciarem no sentido de atestar a segurança do sistema eleitoral brasileiro.

E foi exatamente essa a garantia deixada por Luís Fazenda, que lembrou que o Bloco de Esquerda acompanha, desde há longos anos, a situação no país. De acordo com o dirigente do partido, os bloquistas estão, e continuarão a estar, solidários e empenhados no apoio às forças progressistas que se batem pela defesa da democracia no Brasil. E o Bloco pronunciar-se-á, como já aconteceu, no sentido da total fiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Luís Fazenda, que, no início deste ano, esteve em São Paulo no Ato Público de pré-candidatura às eleições presidenciais da lista de Lula e Alckmin, referiu que o Bloco também tem prestado todo o apoio ao Comité Lula Portugal, e que acompanhará a delegação do Parlamento Europeu no processo eleitoral que se aproxima.

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