Movimento “Vida Justa” exige programa de crise "que defenda quem trabalha

13 de janeiro 2023 - 12:48

“Gente preocupada dos bairros, militantes de várias causas e movimentos sociais” divulgam manifesto e convocam manifestação em Lisboa para o dia 25 de fevereiro. Iniciativa surge em “defesa dos nossos bairros e da dignidade de vida dos que trabalham e que criam a riqueza do país”.

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Foto de Paulete Matos.

O “manifesto Vida Justa” é claro sobre os motivos que levaram os seus subscritores, entre moradores dos bairros, pessoas dos movimentos sociais e outros cidadãos, a unirem-se a este protesto: “Todos os dias os preços sobem, os despejos de casas aumentam e os salários dão para menos dias do mês. As pessoas estão a escolher se vão aquecer as suas casas ou comer”.

“As pessoas são vítimas de uma sociedade que acha normal pagar mal a quem trabalha”, lê-se no manifesto, no qual se lembra que, “quando começou a pandemia, a gente dos bairros continuou a cumprir o seu dever, quando muitos recolheram a casa”.

Os subscritores, entre os quais figuram músicos como Dino d'Santiago, LBC e Chullage, denunciam a “guerra às pessoas que trabalham”, com “os lucros das petrolíferas e das grandes empresas a crescerem, e os salários de quem trabalha a desaparecerem”.

Esta “guerra contra as populações mais pobres” tem “de parar”, defendem, acrescentando que, “para inverter esta situação, as pessoas têm de ter o poder de exigir um caminho mais justo que distribua igualmente os custos desta crise”.

No documento é exigido “um programa de crise que defenda quem trabalha”, e são propostas medidas concretas: “os preços da energia e dos produtos alimentares essenciais devem ser tabelados; os juros dos empréstimos das casas congelados, impedir as rendas especulativas das casas, os despejos proibidos; deve haver um aumento geral dos salários acima da inflação; medidas para apoiar os comércios, pequenas empresas e os postos de trabalho locais e valorizar económica e socialmente os trabalhos mais invisíveis como o de quem trabalha na limpeza”.

Enfatizando que, “em tempo de crise, a política tem de proteger mais as pessoas”, “gente preocupada dos bairros, militantes de várias causas e movimentos sociais querem dar passos para construir uma rede e multiplicar acções que deem mais poder às pessoas e que consigam impor políticas que defendam as populações e quem trabalha”.

Nesse âmbito, todos os que subscrevem o manifesto convocam uma manifestação, em Lisboa, no dia 25 de Fevereiro, e várias concentrações locais, para exigir “justiça e igualdade para acabar com a crise”.